USDA/Divulgação
USDA/Divulgação

Tire suas dúvidas: 15 perguntas e respostas sobre o zika vírus

Mosquito 'Aedes aegypti' é o principal transmissor; doença tem sintomas semelhantes aos da dengue e da chikungunya; ONU emitiu alerta mundial para que países reforcem vigilância

O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2015 | 10h00

1) O que é o zika vírus?

É o vírus da mesma família dos vírus que transmitem a febre amarela, dengue, encefalite do Nilo Ocidental e chikungunya. 

2) Como ele é transmitido?

O principal modo de transmissão descrito do vírus é por mosquitos, tais como o Aedes aegypti. Segundo o Ministério da Saúde, no entanto, está descrita na literatura científica a ocorrência de transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal e sexual, além da possibilidade de transmissão transfusional.

3) Quais são os sintomas da doença?

Segundo a Fiocruz, os sintomas são semelhantes aos da dengue e da chikungunya: exantema (erupção cutânea), dor de cabeça, no corpo e nas articulações, vermelhidão nos olhos, náuseas. Causa ainda fotofobia, conjuntivite e coceira intensa. Com um período de incubação de três a 12 dias, sua evolução geralmente é branda e os sintomas duram em geral de dois a sete dias. Apenas 18% dos infectados apresentam manifestações clínicas da doença

4) É possível se proteger do zika?

É preciso se proteger do Aedes. A principal medida é eliminar os criadouros. Também é recomendável colocar telas nas janelas em casa e utilizar repelente. Segundo médicos, a marca Exposis, do laboratório Osler no Brasil, é a mais potente contra o mosquito por causa do princípio ativo, a icaridina, e da concentração dele no produto (25%). "É uma concentração mais alta do que os outros repelentes no mercado e o princípio também é outro. Os mais populares são feitos com DEET", diz o infectologista Celso Granato, diretor clínico do laboratório Fleury. Em declaração polêmica, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, recomendou que as mulheres usem calça comprida e sapatos, em vez de saia e sandália, para se proteger.

5) O aparecimento do zika vírus é restrito a alguma região?

Como a notificação não era compulsória até a descoberta da relação entre zika e microcefalia, os dados disponíveis até agora estão, provavelmente, subestimados. Apesar de o maior número de casos por enquanto estar na Região Nordeste, tudo indica que o vírus circula por quase todos os Estados. Dados divulgados em 8 de dezembro pelo Ministério da Saúde apontam que entre 500 mil e 1,4 milhão de pessoas tenham sido infectadas pelo zika neste ano no Brasil.

6) Há algum exame para identificar o vírus?

O RNA PCR, exame que pode identificar o zika vírus, só é eficaz se feito preferencialmente nos cinco primeiros dias de sintomas. Ele identifica, pelo sequenciamento genético do vírus, a presença do agente no organismo. Como os sinais de zika, dengue e chikungunya são semelhantes, o teste é a única maneira de esclarecer qual virose o paciente contraiu. 

7) Como é o exame?

O teste detecta a presença do ácido ribonucleico (RNA), responsável pela síntese de proteínas da célula. É feito em duas etapas: na primeira, identifica a presença de um vírus; na segunda, faz o sequenciamento genético para identificar qual dos agentes infectou o organismo.

8) Quanto custa o exame?

Nos laboratórios particulares pesquisados pelo Estado, o teste custa de R$ 1.198 a R$ 2.160. Outros laboratórios prometem iniciar a oferta do teste. No Fleury, por exemplo, o exame deverá custar cerca de R$ 300.

9) Planos de saúde cobrem o exame?

A advogada Renata Vilhena, especialista em saúde, diz que os planos devem pagar pelo exame de zika, em caso de recomendação médica. De acordo com ela, como a operadora está recebendo para prestar serviço no lugar do Estado, havendo pedido, o plano é obrigado a cobrir. A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que representa planos de saúde, informou que os procedimentos cobertos pelas operadoras são determinados pela Agência Nacional de Saúde (ANS) e definidos em contrato.

10) Quando é preciso procurar atendimento médico?

Especialistas alertam que grávidas devem procurar atendimento médico ao perceberem os primeiros indícios.

11) Qual período da gestação o zika vírus é mais perigoso para o bebê?

Como o aparecimento da doença no Brasil é recente, as respostas ainda não são conclusivas. Segundo especialistas, aparentemente o risco é maior durante o primeiro trimestre da gravidez.

12) Que tipo de problemas o bebê pode ter?

Por enquanto, o principal problema relacionado à ocorrência de zika vírus durante a gravidez é a microcefalia, mas outras doenças estão sendo estudadas. No Hospital da Restauração, no Recife, houve um aumento significativo de casos de Síndrome de Guillain-Barré (SGB, uma doença autoimune que provoca a paralisação progressiva), encefalite, meningite, neurite óptica (inflamação do nervo óptico que pode levar à perda da visão) e encefamielite aguda disseminada. Todas essas doenças podem ser deflagradas tempos depois de uma infecção.

13) O zika vírus é novo?

Não. Há registros de sua linhagem desde meados do século XX, mas ele infectava apenas mosquitos e macacos, causando pouquíssimos problemas para humanos. Em sua jornada até o Pacífico, aconteceu uma espécie de "humanização" do vírus, e ele passou a "imitar" os genes que o corpo humano mais expressa. 

14) Já houve surtos no mundo?

Em 2013, o vírus causou um surto na Polinésia Francesa e em fevereiro de 2014 chegou à Ilha de Páscoa, também no Oceano Pacífico, a 3.700 km da costa do Chile. Em menos de dois anos, foram registrados casos de zika em nove países das Américas. O caso brasileiro, que incluiu pela primeira vez mortes, motivou um alerta mundial da Organização Mundial da Saúde nesta semana.

15) A situação é grave?

Sim, a situação é considerada grave no Brasil. Em 1º de dezembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu alerta mundial para que seus mais de 140 países-membros reforcem a vigilância para o eventual crescimento de infecções provocadas pelo zika vírus. Também sugeriu o isolamento dos pacientes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.