2 dos 14 bebês internados na Unicamp estão em estado grave

A suspensão dos partos, em razão do surto de um vírus, deverá ser mantida pelos próximos oito dias

Tatiana Fávaro, de O Estado de S. Paulo,

29 Maio 2009 | 18h07

Dois bebês permanecem em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital da Mulher (Caism) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os responsáveis pelo Caism registraram um surto do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na unidade, nesta semana. Um bebê de aproximadamente 2 meses morreu e outros 14 recém-nascidos, incluindo os dois em estado grave, estão isolados.

 

Na quinta-feira, 28, o hospital informou que, por medida de precaução, interromperá os partos normais e de alto risco, e que as visitas à UTI Neonatal estão restritas aos pais dos recém-nascidos. O Caism realiza aproximadamente 300 partos ao mês. Desde o dia 21, quando foi diagnosticado o terceiro caso de contaminação pelo VSR e identificado o surto, estão suspensas as internações de bebês na UTI Neonatal, que tem 30 leitos.

 

Segundo informou a diretora associada do Caism, Ângela Maria Bacha, 26 crianças internadas recebem o mesmo tratamento, divididas em áreas isoladas - uma para os 14 recém-nascidos contaminados e outra, para os 12 bebês não-contaminados, atendidos por equipes diferentes. O vírus teria entrado na UTI Neonatal por meio de uma criança reinternada e outra, dentro da unidade que, provavelmente, teve contato com o vírus por meio de parentes. A disseminação do VSR se dá no ambiente. As 26 crianças estão recebendo tratamento com anticorpo monoclonal específico para esse tipo de vírus.

 

O VSR é considerado um vírus sazonal, relativamente comum e mais característico no inverno. De acordo com a diretora, o quadro de sintomas se assemelha ao de uma gripe. O vírus acomete adultos e crianças, mas pode levar à morte em casos de pacientes frágeis. Dos dois bebês que permanecem em estado grave, um apresenta quadro pulmonar comprometido e o outro, prematuridade extrema.

 

Fragilidade

 

Ângela explicou que o bebê que morreu no dia 24 apresentava um quadro clínico considerado grave, com risco de morte, pois a criança tinha alterações cromossômicas, cardiopatia congênita, defeito de fechamento da parede abdominal e alterações neurológicas.

 

O hospital informou que, ao considerar a inexistência de casos anteriores na unidade e o risco de infecções relacionadas ao VSR, a diretoria executiva do Caism, orientada pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, em comum acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, Secretaria de Saúde de Campinas e Diretoria Regional de Saúde 7, decidiu manter o atendimento às gestantes nos ambulatórios de pré-natal e as internações de gestantes que não tenham risco de parto mas precisem de atendimento clínico.

 

O Caism informou, ainda, que crianças que nasceram no hospital e tiveram alta nos últimos dias não correm risco de terem adquirido o vírus durante o período de internação. Um comitê de controle interno formado pela diretoria executiva, Divisão de Obstetrícia, Divisão de Neonatologia e Comissão de Controle de Infecção Hospitalar vai monitorar os casos e acompanhar o controle do surto. As autoridades sanitárias foram notificadas. Segundo informou a Unicamp, por meio de assessoria, se em no mínimo dez dias a unidade não registrar nenhum novo caso, os serviços passarão a funcionar normalmente, já que o vírus fica incubado de dois a dez dias.

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