22% dos paulistanos dizem ter sintomas de depressão

Segundo pesquisa, é entre 18 e 29 anos que começam a aparecer primeiros sintomas da doença

Emilio Sant’Anna, de O Estado de S. Paulo,

30 de outubro de 2008 | 21h45

Insegurança profissional, problemas financeiros e de relacionamento podem acontecer em qualquer fase da vida. Entre os 18 e 29 anos, no entanto, parecem assumir um significado maior. É nessa época também que começam a aparecer os primeiros sintomas da depressão. Pesquisa realizada pelo Ibope com 793 pessoas, na cidade de São Paulo, sob encomenda da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), identificou um índice de 22% de paulistanos com sintomas da doença. Veja também: Informações sobre a depressão da ABP Ouça: Entenda os sintomas da depressão   Entre a população de 18 a 29 anos ouvida pelos pesquisadores, 25% afirmaram ter apresentado ao menos dois sintomas de depressão - nas duas semanas anteriores à entrevista - como desanimo, tristeza e falta de interesse por atividades normalmente prazerosas. "Entre os 20 e 30 anos, costumam ocorrer os primeiros casos", diz o psiquiatra Rodrigo da Silva Dias, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). "Fatores como pressão econômica, profissional e stress, aliadas ao componente genético, podem deflagrar a doença." Não por acaso, a pesquisa identificou prevalência maior entre os mais pobres. Para 25% dos entrevistados das classes C e D, os sintomas do problema estavam presentes. Para as classes A e B, o índice não passou de 15%. Diferentemente do senso comum, os sintomas da depressão não se restringem a problemas subjetivos ou emocionais. Entre as 174 pessoas que afirmaram ter os sinais da doença, 81% atestaram que o cansaço e a falta de energia são os sintomas mais freqüentes, 76% têm problemas de sono e 72% alterações de apetite. "Em geral, associamos a depressão com sintomas psicológicos, mas alterações fisiológicas e dores de cabeça e nas costas são alguns dos critérios para o diagnóstico por serem muito freqüentes", diz a professora de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente da Abrata, Helena Calil.  Indicativo A prevalência geral encontrada pela pesquisa do Ibope (22%) é bem mais alta do que a esperada para casos diagnosticados de depressão, de cerca de 5%, e não significa que todos eles (174) tenham de fato o problema. No entanto, os especialistas ressaltam que a presença dos sintomas é um indicativo preocupante.  Mais preocupante ainda é não buscar ajuda, afirma a professora da Unifesp. "A grande maioria das pessoas têm variação de humor. Dias melhores e piores, mas quando os sintomas duram pelo menos duas semanas e influenciam o dia-a-dia da pessoa é a definição de depressão", diz. Para a engenheira civil Bernardete Araújo, os sintomas duraram mais. Foram exatos oito anos com dores no corpo, alteração de sono e apetite e dificuldade de concentração que a levaram a passar por uma dezena de médicos, sempre sem solução. Finalmente, em 2003, o problema explodiu e a obrigou a abandonar o emprego. "Sentia dores, dificuldade para me concentrar e para trabalhar", diz. Nessa época encontrou ajuda psicológica e teve a depressão diagnosticada. Passou ainda dois anos afastada do emprego. "Hoje, conhecendo a doença, sei que tenho depressão desde a adolescência", afirma.

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