Vanderlei Faria/Prefeitura de Cascavel/Divulgação
Vanderlei Faria/Prefeitura de Cascavel/Divulgação

3 tiveram contato direto com paciente suspeito de ter Ebola, diz Chioro

Segundo o ministro, 64 pessoas poder ter tido contato com Souleymane Bah, que não apresentou sintomas da doença

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2014 | 11h12

Atualizado às 12h24

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que o paciente com suspeita de Ebola não apresentou nenhum sintoma da doença - febre, diarreia ou hemorragia - até o final da manhã desta sexta-feira, 10, e que 64 pessoas foram identificadas como podendo ter contato com ele. Destas, três tiveram contato direto e outras quatro tiveram contatos residenciais. "Todos foram considerados de baixo risco, com exceção dos três que tiveram o contato direto com o paciente", afirmou Chioro. O resultado do primeiro exame será divulgado em 24 horas.

As equipes de investigação vão acompanhar o estado de saúde de todos as pessoas que tiveram contato com paciente.

O paciente, de 47 anos, Souleymane Bah, chegou à Unidade de Pronto Atendimento Brasília II, em Cascavel, no Paraná, às 17h45 desta quinta-feira, 9, e embarcou para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, na zona norte do Rio de Janeiro, às 4h30 desta sexta-feira.

O resultado do exame que deverá confirmar ou não a infecção por Ebola deverá ficar pronto neste sábado, 11. "A situação está sob controle", disse Chioro. De acordo com ele, o isolamento foi feito de forma adequada e "100% do que estava previsto no protocolo foi cumprido", afirmou, durante entrevista coletiva em Brasília.

O Ministério da Saúde informou, por meio da assessoria de imprensa, que a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi comunicada na madrugada desta sexta-feira sobre a existência de um caso suspeito de Ebola no Brasil. O comunicado foi feito à 1h11, em um canal de comunicação interno. De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional, o ministério teria 24 horas para fazer a notificação.

"Temos a situação sob controle. Todos os procedimentos foram feitos em um tempo resposta adequado e em cumprimento com preceitos previstos no protocolo", disse Chioro.

O paciente embarcou da Guiné para o Brasil no dia 18, com escala em Marrocos. Ele chegou no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, no dia 19, de onde seguiu para Cascavel.  Os sintomas começaram na quarta-feira, 8, quando ele já estava em Cascavel. No País, o paciente, que é refugiado político, vivia em uma casa na companhia de dois casais.

"A informação que ele importa é que na quarta ele teve febre, tosse e dor de garganta." Quando chegou à UPA, no entanto, ele já não apresentava nenhum sintoma. "Mas as queixas não podiam ser desconsideradas. A conduta dos profissionais de Cascavel foi absolutamente correta", disse Chioro. "Consideramos caso suspeito porque ele fecha todos os elementos necessários."

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou que o ministério preferiu agir da forma mais cuidadosa possível. "Se ele tivesse apresentado os sintomas um dia depois, não seria considerado caso suspeito. De acordo com o secretário, os contactantes são considerados de baixo risco. "Nenhum paciente teve contato com fluidos", disse.

Uma amostra de sangue foi coletada e enviada para o Instituto Evandro Chagas, no Pará, onde será feito o exame para confirmar o diagnóstico. No domingo, uma nova mostra será coletada e analisada.

"Acreditamos que em 24 horas o resultado do exame Ebola seja concluído", afirmou Barbosa.  As amostras foram coletadas no Instituto Nacional de Infectologia na manhã desta sexta-feira. Se o resultado der negativo, o exame será repetido em 48 horas.

Qualquer mudança no procedimento somente será adotada mediante a confirmação dos exames - sejam eles positivos ou negativos. O monitoramento das pessoas que tiveram contato com paciente suspeito será mantida. Por enquanto, eles não estão isolados.

"Como eles são considerados de baixo risco, como não tiveram contato com secreções, eles serão acompanhados", disse Barbosa.

O paciente fez teste também para malária, que deu negativo.

Barbosa confirmou que o paciente suspeito com a doença desembarcou em Guarulhos. "Nossa prioridade são as questões sanitárias. Não temos todas as informações sobre o percurso, mas o que importa é o que ocorreu depois de os primeiros sintomas terem sido identificados", disse.

De acordo com o secretário, o paciente não teve em nenhum momento diarreia, hemorragia ou vômito. O paciente disse não ter tido contato com nenhuma pessoa doente, quando estava na África.

O ministro Chioro afirmou que o nível de emergência, declarado pelo Centro de Operações de Emergência de Saúde do governo federal, não será alterado. Atualmente ele é grau 2. "Por enquanto, não haverá mudanças. O real risco será confirmado ou descartado pelos exames laboratoriais", disse o ministro. "Não existe uma classificação de risco por gradualidade dos sintomas."

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