400 médicos podem abandonar cargos esta semana em PE

Ministério Público ainda tenta acordo entre sindicato e governo estadual para reajuste de salários

Angela Lacerda, especial para o Estado,

03 de setembro de 2008 | 18h28

Em assembléia realizada na noite de terça-feira, 2, os médicos do serviço público estadual chocaram-se com o governo de Pernambuco: não aceitaram a última proposta de reajuste salarial e decidiram abandonar seus cargos a partir de sexta-feira, 5. De acordo com o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), são cerca de 400 profissionais - a maioria de emergências de hospitais públicos estaduais, além de cirurgiões eletivos - que já encaminharam seus pedidos de exoneração e não irão mais ao trabalho. Os pedidos de demissão começaram a ser encaminhados no dia cinco de agosto, com 242 profissionais, que deram um prazo de 30 dias para deixar o trabalho. Todos os cerca de 400 demissionários consideram a possibilidade de se afastar do trabalho de uma só vez, no mesmo dia, sem aguardar a conclusão do prazo.   Há ainda possibilidade de negociação, mediada pelo Ministério Público estadual, através do procurador Paulo Varejão. O objetivo é evitar o caos. A Secretaria estadual de Saúde denunciou, através de nota, que 19 profissionais faltaram ao trabalho na terça-feira, 2, nas três principais emergências do Estado - Hospital da Restauração, Otávio de Freitas e Getúlio Vargas e apelou para que os profissionais voltassem nesta quarta-feira, 3, ao trabalho. Por sua vez, o procurador-geral do estado, Tadeu Alencar, destacou o que uma ausência massiva pode gerar e lembrou às entidades médicas sua responsabilidade com vidas.   O vice-presidente do Simepe, Silvio Rodrigues, destacou que não é de agora que a categoria sofre com insuficiência de profissionais e péssimas condições de saúde. Diante do quadro de caos já instalado - com gente sendo internada no chão, emergências superlotadas e ambiente insalubre - recorreram à justiça, em julho, e conseguiram liminar que assegura a todo paciente que venha a correr risco em uma emergência pública - e não tenha condição de atendimento - seja levado a um hospital particular, com ônus financeiro para o Estado. O Simepe entrou com uma ação civil pública pedindo melhora de condições de saúde para os usuários do serviço público de saúde. A juíza Clara Maria Calado, da 3ª Vara da Fazenda acatou o pedido de liminar no dia 26 de julho.   Rodrigues observou que mesmo que se venha a conseguir um acordo salarial, o Simepe vai continuar lutando pelo cumprimento desta liminar, até agora desconsiderada pelo governo estadual. A última proposta do governo foi de aumento de 24% para os plantonistas - os vencimentos subiriam para R$ 3,6 mil - e 21% para os diaristas - chegariam a R$ 2,3 mil. Os médicos querem isonomia salarial dos plantonistas com os neurocirurgiões, que, desde o ano passado, tiveram seus salários elevados para R$ 5,7 mil. Para os diaristas, reivindicam um salário de R$ 3,4 mil.   Hospital de campanha   No Hospital de campanha da Aeronáutica, instalado no Recife para desafogar as emergências dos hospitais públicos, mais que dobrou os atendimentos nesta quarta-feira, 3, . No primeiro dia de funcionamento, na terça-feira, 2, foram realizados 171 atendimentos, contra 443 desta quarta-feira, 3. Ao meio-dia já haviam acabado as senhas no posto de triagem - a capacidade diária é de atendimento de 400 pessoas. Com 50 profissionais do Exército, Aeronáutica e Marinha, o hospital funciona em 12 tendas e faz atendimentos de baixa complexidade nas áreas de ortopedia, pediatria, ginecologia e clínica médica. Realiza exames laboratoriais simples e distribui medicamento, se disponível. O hospital de campanha, que estava montado no Oiapoque para atendimento de comunidades indígenas, foi transferido para o Recife, por determinação do Ministério da Defesa, a pedido do governador Eduardo Campos (PSB), diante da crise na saúde, especialmente nas emergências públicas do Estado.

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