Joshua Prezant/The New York Times
Joshua Prezant/The New York Times

6% dos bebês de mães com zika nos EUA têm anomalias

Estudo aponta microcefalia em 4% dos registros; taxa normal é de 0,07%

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2016 | 21h30

Um estudo divulgado nesta quinta-feira, 15, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) americano mostra que 6% dos bebês nascidos de mães infectadas pelo zika nos Estados Unidos desenvolveram uma ou mais anomalias congênitas potencialmente relacionadas ao vírus. O levantamento combinou dados de 442 mulheres dos Estados americanos continentais e do Havaí coletados pelo CDC em parceria com governos estaduais e locais.

De acordo com o estudo, publicado no periódico Journal of American Medical Association, do total de mulheres com possível infecção pelo zika que haviam completado a gravidez até 22 de setembro, 26 (6%) tiveram bebês com alguma má-formação. Quando a infecção pelo vírus ocorreu no primeiro trimestre da gestação, o porcentual de crianças nascidas com anomalias saltou para 11%, de acordo com o estudo.

A proporção de bebês com má-formação foi semelhante entre os grupos de grávidas que tiveram sintomas da doença e os que não tiveram. Dezoito dos 26 bebês com má-formação apresentaram o diagnóstico de microcefalia, o que representa cerca de 4% do total das crianças geradas por mulheres infectadas pelo vírus. O índice é bastante superior à prevalência de microcefalia nos Estados Unidos, de cerca de 7 por 10.000 nascidos vivos, ou 0,07%.

Os 26 casos de anomalias congênitas ocorreram em bebês de mulheres que foram expostas ao vírus em locais onde há transmissão local, incluindo Barbados, Belize, Brasil, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Ilhas Marshall e Venezuela.

Segundo o CDC, o porcentual encontrado no levantamento americano é similar ao relatado em outras pesquisas, feitas com gestantes de países onde há surto de zika. “Este é um estudo importante. Ele mostra que a taxa de microcefalia e outras más-formações fetais relacionadas ao zika é semelhante entre bebês nascidos nos Estados Unidos, cujas mães foram infectadas durante viagens a uma dúzia de países com transmissão ativa de zika, para a taxa estimada no Brasil”, disse o diretor do CDC, Tom Frieden. “O zika representa um risco real durante a gravidez, mas especialmente no primeiro trimestre. É fundamental que as mulheres grávidas não viajem para áreas onde o zika está se espalhando.”

Microcefalia tardia. O CDC ressaltou que o índice de bebês nascidos com microcefalia pode ser ainda maior se for considerado um recente estudo do mesmo órgão que mostrou casos de crianças brasileiras nascidas com perímetro cefálico normal mas que, posteriormente, tiveram um crescimento lento de cabeça. “Dadas essas descobertas recentes no Brasil, é possível que uma maior proporção de crianças possa ser afetada por uma anomalia congênita relacionada ao zika no primeiro ano de vida”, disse o órgão, em comunicado.

A pesquisa que descobriu casos de microcefalia tardia foi realizada em colaboração com cientistas brasileiros, que acompanharam 13 bebês nascidos no Ceará e em Pernambuco, entre outubro de 2015 e agosto de 2016. Todos tinham cabeça de tamanho normal ao nascer, embora apresentassem anomalias no cérebro já nos primeiros dias de vida. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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