700 pacientes do HUCFF podem não conseguir transplantes

Único hospital alternativo já anunciou que não tem capacidade para receber os pacientes da lista de espera

Talita Figueiredo, Agência Estado

02 de julho de 2008 | 21h30

Caso o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, não retome os transplantes de fígado em breve, os quase 700 pacientes cadastrados na unidade terão dificuldade em obter tratamento no Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), a outra unidade de saúde pública cadastrada para realizar as operações no município. De acordo com documento enviado pela diretora do HGB, Sandra Azevedo, ao procurador federal Daniel Prazeres a unidade já opera em capacidade superior a que foi dimensionada. No Rio, há ainda uma unidade particular que realiza a cirurgia. De acordo com o diretor do HUCFF, Alexandre Pinto Cardoso, em até 30 dias os transplantes voltarão a ser realizados na unidade. O documento mostra que no ano passado o HGB realizou 52 transplantes hepáticos, mas o serviço "conta com a mesma capacidade instalada do início do programa, em 2002" que foi preparada para realizar apenas 25 cirurgias deste tipo por ano. Isso "sinaliza a existência de limitantes à produção ligados à capacidade instalada, recursos humanos e insumos". Como o Hospital do Fundão, como é conhecida a unidade de saúde da UFRJ, é referência em tratamento dos doentes hepáticos, a grande maioria dos quase 700 pacientes precisa de transplante de fígado. De acordo com Cardoso, a suspensão dos transplantes, bem como de outras cirurgias de alta complexidade, das operações eletivas e das consultas para pacientes novos, desde 9 de maio, foi necessária em razão da falta de recursos financeiros. O diretor informou que a promessa de repasse de R$ 6 milhões do Ministério da Educação para pagamento de pessoal e três contratos de cooperação assinados com a Secretaria Estadual de Saúde estão "ajudando a superar parte da crise". De acordo com o diretor, a unidade também não recebe verba suficiente dos ministérios da Educação e Saúde para o pagamento de funcionários e manutenção do prédio. "São 110 mil metros quadrados e 13 andares. Temos áreas de infiltração e sem manutenção e áreas ótimas com aparelhos de última geração", disse. Segundo ele, já está marcada uma cirurgia para transplante de medula óssea para os próximos dias. Apesar de ter avisado o Rio Transplante, ligado à Secretaria Estadual de Saúde, e o Sistema Nacional de Transplante, do Ministério da Saúde, sobre a suspensão dos transplantes e todos os procedimentos médicos ligados ao tratamento, o diretor não comunicou os pacientes, que foram pegos de surpresa pela decisão. Anteontem, eles fizeram uma manifestação em frente ao hospital e pediram explicações ao diretor. O procurador Daniel Prazeres também cobrou, oficialmente, informações ao diretor sobre o procedimento que será adotado para tratar os pacientes que precisam realizar exames freqüentemente para acompanhar a gravidade da doença e, caso seja necessário, chegar ao topo da lista para receber um órgão.O imbróglio jurídico que permeia a coordenação de transplantes hepáticos, no entanto, pode atrasar ainda mais o início das cirurgias. Para o Ministério da Saúde, segundo a assessoria de imprensa do órgão, o responsável técnico é o médico Ricardo Refinetti, de acordo com portaria 537 publicada em 4 de outubro do ano passado. Por outro lado, o ex-coordenador, o médico Joaquim Ribeiro Filho, já conseguiu ganhar em segunda instância, segundo decisão da semana passada do desembargador federal Paulo Espírito Santo, o direito de ser reconduzido ao cargo. Ele foi suspenso durante uma investigação que apurava se ele teria beneficiado um paciente do hospital particular São Vicente, na Lagoa, onde também opera.

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