Mike Stone/Reuters
Mike Stone/Reuters

80 podem ter mantido contato com infectado por Ebola nos EUA

Homem foi mandado para casa após procurar hospital; estimativa inicial era de que 18 pessoas haviam se aproximado dele

O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2014 | 10h53

DALLAS - Cerca de 80 pessoas podem ter mantido contato com a primeira pessoa diagnosticada com o vírus Ebola nos Estados Unidos. O número representa um aumento significativo em relação à primeira informação de que 18 pessoas tinham se aproximado do homem. Oficiais de saúde disseram que quatro familiares da pessoa foram aconselhados a permanecerem em casa por precaução. 

A quantidade representa todas as pessoas que entraram em contato ou tiveram exposição com o doente ou algum familiar dele. "Nós precisamos deixar isso para trás e olhar para frente para ter certeza de que isso não se repita no futuro", disse o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci.

O médico comentou a notícia de que o homem infectado procurou um hospital e recebeu a ordem de voltar para casa. Ele havia viajado para a Libéria, país cuja epidemia da doença é mais forte na região da África Ocidental.

O homem havia buscado tratamento em um hospital no Estado americano do Texas, mas foi mandado para casa com antibióticos, apesar de ter dito a uma enfermeira que havia retornado recentemente da África.

No domingo passado, 26, ele precisou de uma ambulância para retornar ao mesmo hospital. Na quarta-feira, 29, oficiais do hospital admitiram que a informação não havia sido compartilhada com toda a equipe de tratamento.

Um sobrinho do infectado concedeu entrevista a uma rede de televisão americana e relatou que o tio só recebeu tratamento depois de ter telefonado ao Centro de Controle de Doenças em Atlanta e contar sobre a suspeita de Ebola.

O jornal The New York Times identificou o homem como sendo Thomas Eric Duncan e disse que ele teria ajudado a transportar uma mulher grávida infectada por Ebola a um hospital na Libéria.

Dois dias depois de ter sido mandado de volta para casa do hospital, o homem infectado foi visto vomitando do lado de fora de um condomínio e foi socorrido por uma ambulância. "A família dele estava gritando. Ele foi para fora e estava vomitando em todos os cantos", disse Mesud Osmanovic, de 21 anos, ao descrever a cena.

O caso se tornou uma preocupação nacional pelo potencial de contágio do vírus, cuja epidemia na África já deixou 3.338 pessoas mortas, um recorde histórico desde a descoberta da doença na década de 1970. Oficiais de saúde do governo americano destacaram a capacidade do sistema de saúde do país para conter qualquer avanço do vírus. 

Reunião. Especialistas internacionais e políticos se reúnem nesta quinta-feira, 2, em Londres para estudar uma resposta global para a crise do vírus Ebola, que já provocou mais de 3 mil mortes em Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria.

O encontro será presidido pelo ministro britânico de Assuntos Exteriores, Philip Hammond, e deverá contar com diversos especialistas que buscam encontrar a melhor maneira para responder ao avanço da epidemia.

É esperado que as autoridades solicitem um esforço internacional para facilitar o financiamento de equipes médicas para atender aos doentes, já que o número de infectados chegou a mais de 7 mil nos países africanos. O governo do Reino Unido se comprometeu a ajudar com 20 milhões de libras a ser destinado ao serviço sanitário de Serra Leoa, sobretudo para a compra de equipamentos de proteção. 

Libéria. A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, disse que a crise de Ebola no seu país pode estar caminhando para uma estabilização. Novos dados poderão provar, segundo ela, que os alertas da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos Estados Unidos para dezenas de milhares de infectados estavam errados.  "Nós estamos começando a ver uma estabilização em Monróvia, que foi o ponto mais atingido", disse Ellen.

Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos haviam alertado que cerca de 20 mil pessoas poderia ser infectadas por Ebola até o começo de novembro. A Libéria foi o país que registrou a maioria das mortes pelo vírus, quase 2 mil dentre os mais de 3 mil casos fatais. 

Apesar disso, Ellen rejeitou os prognósticos negativos. "Estou esperando pela próxima projeção e espero que eles admitam que eles estavam simplesmente errados, que todos os países estão colocando esse assunto sob controle", disse.

Em seu último relatório, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia declarado que a transmissão do vírus "permanecia persistente em Guiné, Libéria e Serra Leoa, com forte evidência de aumento de casos em diversos distritos"./EFE E REUTERS

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