Luis Robayo/AFP
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855 cidades podem ter epidemias de dengue, chikungunya e zika

Esse grupo, que equivale a 37,4% dos municípios pesquisados, apresenta altos índices de criadouros do Aedes aegypti, vetor das três doenças

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2016 | 14h40
Atualizado 24 Novembro 2016 | 19h03

BRASÍLIA - Levantamento feito pelo Ministério da Saúde e secretarias municipais mostra que 855 cidades encontram-se em situação de alerta ou de risco para epidemias de dengue, chikungunya e zika neste verão. Esse grupo, equivalente a 37,4% dos municípios pesquisados, apresenta altos índices de criadouros do Aedes aegypti, vetor das três doenças. O número, 18% menor do que o apontado no levantamento de 2015, causou um misto de apreensão e frustração entre autoridades sanitárias.

A expectativa era de que a redução fosse maior, principalmente por causa da grande discussão em torno da microcefalia, má-formação congênita associada à infecção pelo zika. Todo aparato montado ao longo deste ano, as visitações feitas nos domicílios, e participação do Exército, trouxeram um impacto menor do que o esperado.

Como consequência, o Brasil se prepara para enfrentar um verão com 10 capitais apresentando um  número de criadouros do mosquito muito acima do que seria considerado seguro. Isso ocorre em um momento em que há uma circulação mais intensa da chikungunya, doença que pode se tornar crônica,   ser incapacitante e levar à morte. 

Ao apresentar os dados, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, reconheceu que a redução de criadouros foi menor do que o desejado e responsabilizou os municípios e a população: "Por isso que o presidente do Conselho de Secretários Municipais (Conasems) está aí. Para que motive os municípios a participar de uma forma mais efetiva. Não há força pública capaz de combater o mosquito. Ou a população se engaja ou nós não vamos conseguir vencer essa batalha."

Ao apresentar os dados, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, reconheceu que a redução de criadouros foi menor do que o desejado e responsabilizou os municípios e a população: "Por isso que o presidente do Conselho de Secretários Municipais está aí. Para que motive os municípios a participar de uma forma mais efetiva. Não há força pública capaz de combater o mosquito. Ou a população se engaja ou nós não vamos conseguir vencer essa batalha."

O ministro voltou a dizer que a maior preocupação deste ano é com chikungunya. "Qualquer crescimento do número de criadouros representa o risco de mais pessoas atingidas. E é uma doença incapacitante, gera muitas dores, as pessoas requisitam auxílio-doença, custa caro para o governo. Nossa preocupação é sensibilizar a população, para que se proteja, para que use repelentes, para que evite a exposição ao mosquito", disse. Embora os resultados obtidos ao longo do ano sejam pouco animadores, Barros afirmou esperar que o trabalho de combate ao mosquito nos próximos meses seja eficaz. Questionado se haveria uma epidemia no País de chikungunya no próximo ano, ele afirmou: "Mesmo se os casos dobrarem, teremos 500 mil casos. Não é uma epidemia para o Brasil, mas é uma preocupação", disse.

O presidente do Conasems, Mauro Guimarães Junqueira, afirmou que em muitas cidades o trabalho vem sendo feito de forma adequada. "Há um esforço, sim, das cidades. Mas o combate depende de muitas variantes, as cidades são muito diferentes entre si." 

O ministro voltou a dizer que a maior preocupação deste ano é a chikungunya. "Qualquer crescimento do número de criadouros representa o risco de mais pessoas atingidas. E é uma doença incapacitante, gera muitas dores, as pessoas requisitam auxílio-doença, custa caro para o governo. Nossa preocupação é sensibilizar a população, para que se proteja, para que use repelentes, para que evite a exposição ao mosquito", disse.

Embora os resultados obtidos ao longo do ano sejam pouco animadores, Barros afirmou esperar que o trabalho de combate ao mosquito nos próximos meses seja eficaz. Questionado se haveria uma epidemia  de chikungunya no País no próximo ano, ele afirmou: "Mesmo se os casos dobrarem, teremos 500 mil casos. Não é uma epidemia para o Brasil, mas é uma preocupação", disse.

O infectologista André Ricardo Ribas Freitas, da Sociedade Brasileira de Dengue e Arbovirose discorda. "É inadequado pensar desta forma. A chikungunya já provoca epidemia em vários Estados", disse. Este ano, a epidemia já está presente no Nordeste, com 7 Estados com número de casos considerado excessivamente alto. 

O levantamento, batizado de Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), foi feito em 2.284 dos 3.704 municípios considerados aptos para fazer a pesquisa, por terem mais de 2 mil imóveis. A pesquisa é feita por adesão. Barros afirmou haver uma proposta de se transformar, para o próximo ano, o LIRAa em obrigatório a todos os municípios. "Todos têm de colaborar."

O presidente do Conasems, no entanto, é contra. "Não há necessidade de se fazer o levantamento em locais onde há poucos criadouros. O mesmo vale para municípios com menos de 2 mil habitantes."

O trabalho deste ano mostra que nas regiões Nordeste e Sul a maior parte dos criadouros foi encontrada em depósitos de água, como tonéis tambores e caixas. No Norte e Centro-Oeste, a maior parte dos criadouros foi encontrada em depósitos de lixo. O Sudeste foi a única região em que prevaleceram criadouros em depósitos domiciliares. 

No Norte, metade dos municípios está em situação de alerta ou de risco. Entre eles, destaque para as capitais Rio Branco, Belém, Boa Vista e Manaus. No Nordeste, o número é ainda mais preocupante: 63,2% das cidades estão em situação de risco ou de alerta. Capitais estão nesta lista: Aracaju, Salvador, Recife. No Centro-Oeste, 21,5% dos municípios visitados estão em condição de risco e alerta. No grupo com essa classificação estão as capitais Cuiabá (em situação de risco)e Goiânia. No Sudeste, Vitória está em situação de alerta. Ao todo, 22,9% das cidades da região que fizeram o LIRAa estão em situação de alerta e risco. São Paulo e Rio estão em situação considerada satisfatória.

Além de apresentar os números, o ministro lançou a campanha de conscientização para o combate ao Aedes. O material deste ano traz um alerta sobre o risco da transmissão sexual do zika e vem num tom mais dramático, com depoimentos  inspirados em pessoas que tiveram a vida transformada pelas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. No dia 2, será realizada uma mobilização especial para combate ao mosquito. A previsão é de que ministros participem da ação, cada um em um Estado determinado. Não está prevista a participação do presidente Michel Temer.

 

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