Ana Freitas/Estadão
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9 em cada 10 atléticas de universidades têm acordo com cervejeiras

Dados foram divulgados nesta sexta-feira, 16, pela Universidade Federal de São Paulo; para especialistas, parceria aumenta risco de consumo abusivo de álcool entre jovens

Fabiana Cambricoli , O Estado de S. Paulo

16 Maio 2014 | 13h32

Quase 90% das atléticas de universidades públicas e particulares da capital paulista têm acordo formal com a indústria para a venda de cervejas, aponta pesquisa da Universidade Federal de São Paulo divulgada nesta sexta-feira, 16, no Seminário Internacional Álcool e Violência, organizado pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), em São Paulo.

Feito entre setembro de 2013 e maio de 2014, o levantamento mostra que a maioria das agremiações estudantis ouvidas pelos pesquisadores tinham algum tipo de parceria com empresas cervejeiras que possibilitavam preços mais baixos na compra dos produtos, patrocínio para eventos e prêmios por metas alcançadas na venda de latinhas de cerveja. "Verificamos que 86% tinham esse acordo. As demais atléticas queriam ter. Só não tinham porque não havia estrutura suficiente para a parceria", explica Ilana Pinsky, professora do departamento de psiquiatria da Unifesp e uma das coordenadoras do estudo.

Para os pesquisadores, esse tipo de parceria aumenta o risco de abuso e dependência do álcool num grupo da população que já é mais vulnerável. "Os jovens de 18 a 24 anos já consomem álcool de maneira mais abusiva. Esse tipo de ação da indústria, intensificado nos últimos anos, acaba estimulando o consumo de álcool sem qualquer limite. E quanto mais cedo a pessoa começa a beber de forma abusiva, maior o risco de ela se tornar dependente", diz a especialista. Ela afirma que, até 2009, não havia registro desse tipo de parceria.

A pesquisa mostra ainda que metade dos entrevistados disseram nunca ter pensado nos riscos do consumo de bebidas alcoólicas. Os demais relataram que já vivenciaram ou presenciaram situação de risco após o uso abusivo, como dirigir embriagado, se envolver em brigas e fazer sexo sem proteção. "O álcool está sendo tratado como se fosse um produto qualquer. As universidades e o governo deveriam interferir nesse tipo de parceria", defende Ilana.

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