A boa hidratação pode ser sentida na pele

O corpo humano traz em sua composição 70% de água. Entre as funções do líquido no organismo estão o transporte de nutrientes e possibilitar a maior parte das reações químicas que mantêm o funcionamento ideal do corpo humano. Além disso, a água regula a temperatura corporal, remove resíduos indesejáveis do metabolismo e reduz o trabalho dos rins e do fígado, auxiliando na eliminação de toxinas. Se diante desses argumentos você ainda não se convenceu, há algo mais próximo da realidade externa do corpo que é a desidratação. A falta de hidratação pode ocasionar dificuldades de concentração, cefaléia, irritabilidade e fadiga. "Sempre que se perde líquido, deve-se buscar a reposição. Além da desidratação, a pessoa pode ter problemas intestinais", explica Marisa Helena Coral, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo. A falta de líquido no corpo, lembra, pode gerar inclusive prejuízos estéticos, como danos à pele. É justamente esse ponto que preocupa a produtora Mariana Veltri. Ela, que chegava a consumir tranqüilamente dois litros de água por dia, atualmente até se esquece de beber água porque não gosta do sabor do líquido que é servido na empresa onde trabalha. Tenta compensar o problema com a ingestão de grande quantidade de chás, mas não está satisfeita. "Estou sentindo necessidade de tomar mais líquidos, principalmente água, até para melhorar o aspecto da pele", conclui Mariana. No mesmo grupo das que se preocupam com o consumo de água por questão estética, está a jornalista Táina Lopez. Ao contrário de Mariana, ela consome grandes quantidades de água, às vezes ultrapassando os dois litros por dia. Táina é daquelas que andam com garrafinhas para todos os lados. "Bebo água toda hora. A garrafa está comigo da caminhada ao computador", conta. Ela explica que esse frisson pelo líquido insípido, inodoro e incolor veio depois de ler sobre o bem que o consumo grande e regular faz ao corpo, auxiliando inclusive na prevenção de celulites. "Criei esse hábito há cinco anos, depois de ler reportagens e me consultar com um iridólogo", relata. Cuidado com o excesso Para o médico Paulo Olzon Monteiro da Silva, a atitude é desnecessária. Ele lembra que é preciso respeitar as vontades e necessidades do organismo e faz um alerta sobre o consumo em excesso. "Tomar água além da conta altera a função urinária. O excesso será eliminado de alguma forma", adverte. Segundo ele, se não é possível determinar uma quantidade mínima de água a ser tomada, também é impossível afirmar a partir de quantos litros o consumo faz mal ao organismo. Mais uma vez, isso vai depender de fatores genéticos e climáticos. Estudo A polêmica sobre o consumo de água levou a Escola de Medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolver um estudo a respeito do assunto. A equipe, coordenada pelo cardiologista Christopher Almond, do Hospital Infantil de Boston, queria constatar que o consumo excessivo de água fazia mal, sobretudo para atletas. No ano de 2002, eles avaliaram 488 corredores da maratona de Boston e constataram que, aqueles que ingeriram grandes quantidades de água durante a prova, apresentaram quadros de hiponatremia, ou seja, baixo nível de sal no organismo. Isso acontece porque ao exercitar-se a pessoa elimina, através do suor, além do líquido, sal e potássio. O endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Ricardo Botticini Peres, reconhece o resultado do estudo e recomenda que a reposição de líquido durante a prática esportiva seja feita com bebidas isotônicas ou com água de coco. "O indivíduo comum, que faz exercícios esporádicos, também pode ter problemas desse tipo. Se a reposição for somente com água, o restante do sal que estiver no organismo vai diluir e se espalhar por todo o corpo, inclusive o cérebro, podendo trazer conseqüências graves", avisa. O baixo nível de sódio no corpo compromete a regularidade da concentração do sangue e a falta de potássio pode resultar em cãimbras. Christopher Almond, que coordenou o estudo de Harvard, faz ainda um outro alerta: "As pessoas devem checar se, durante o exercício, houve ganho de peso. Esse é um sinal claro de hiponatremia". E durante as refeições? Um outro ponto que gera grandes dúvidas é o consumo de líquido durante as refeições. Na opinião de Nidia Pucci, essa é uma prática inadequada porque o organismo já produz o suco gástrico utilizado no processamento dos alimentos. "A água vai diluir esse suco, prejudicando a digestão. O consumo de refrigerante é ainda pior por causa do gás", observa a diretora do serviço de dietética do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Agencia Estado,

01 de março de 2006 | 07h00

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