'A cirurgia robótica é minimamente invasiva', diz especialista

Americano Vipul Patel prevê diminuição do custo, robôs menores e com inteligência artificial; leia entrevista

Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo,

28 de outubro de 2008 | 00h54

Terminou nesta segunda-feira, dia 27, o primeiro simpósio realizado na América Latina para discutir a utilização da robótica na prática cirúrgica. O evento foi promovido pelo Hospital Israelita Albert Einstein e pelo Instituto de Robótica Global do Hospital da Flórida (EUA). O Estado conversou com o cirurgião americano Vipul Patel, médico que realizou o maior número de cirurgias robóticas no mundo: mais de 2.500 operações para remoção de câncer de próstata e de rim. No Brasil, além do Albert Einstein, apenas o Hospital Sírio-Libanês possui o equipamento para a realização das cirurgias. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz já adquiriu o robô, mas ainda não está em funcionamento. Os custos ainda são altos. Uma cirurgia de prostatectomia, por exemplo, pode sair por R$ 25 mil, quase o dobro de uma operação convencional. Quais são as principais aplicações da cirurgia robótica? As aplicações mais comuns são na urologia, especialmente para combater câncer de próstata e de rim. O uso ginecológico tem se tornado cada vez mais comum, especialmente em cirurgias de extração de tumores no útero ou para a reversão de laqueaduras. Outros cirurgiões também tem aproveitado a tecnologia em procedimentos delicados como a realização de pontes de safena. Quais as principais vantagens da cirurgia robótica? Ela é minimamente invasiva. Você faz pequenas incisões na pele e coloca os instrumentos e câmeras lá dentro, através dos orifícios. Também é muito mais rápida - tanto o tempo de operação como de recuperação do paciente. A anestesia pode ser mais leve e há pouca perda de sangue, o que diminui muito a necessidade de transfusões. Do ponto de vista do médico, a visão dos órgãos é melhor - não há tanto sangue no campo visual e o aparelho oferece uma imagem em três dimensões de alta definição. Ele permanece confortavelmente sentado diante do visor e manipula os braços do robô com controles simples e precisos. Os instrumentos cirúrgicos são, muitas vezes, mais fáceis de manusear do que os utilizados em cirurgias análogas convencionais. Apesar do aprimoramento da visão, a percepção tátil não é pior? Sim, você perde a sensibilidade sobre a resistência que o tecido oferece ou a força que deve imprimir para dar um ponto, por exemplo. Mas não faz falta. A melhora da visão compensa, com muita vantagem, a perda do tato. Há um controle muito maior sobre o que acontece com o paciente. E os custos? Vão cair no futuro. A cirurgia robótica é mais cara do que a convencional, mas traz consigo muitos benefícios que compensam o investimento. O paciente fica internado menos tempo, o médico realiza a cirurgia mais rápido e o número de complicações é menor. Quando uma equipe está bem treinada, o hospital pode apresentar ótimos resultados na realização dos procedimentos, o que repercute na sua imagem. Na sua opinião, qual é o futuro da cirurgia robótica? Estamos no início de um longo processo. Por enquanto, só uma empresa produz o equipamento e apenas dois modelos chegaram ao mercado. A tendência é que os robôs sejam cada vez menores. Terão inteligência artificial. O ser humano ainda estará no comando, mas o robô vai tomar importantes decisões sozinho. Qual é a sua visão sobre a cirurgia robótica no Brasil? Muitos médicos brasileiros vão para os Estados Unidos realizar cursos. O País tem bons cirurgiões e a transição para a cirurgia robótica é feita com naturalidade.  Os robôs vão substituir os médicos um dia? Acredito que não. Devem trabalhar juntos. Os robôs possuem uma vantagem sobre os cirurgiões. Eles podem armazenar as imagens obtidas por tomografia computadorizada ou ressonância magnética e se guiarem por elas. Podem, assim, atuar com mais precisão, diminuindo os cortes desnecessários para encontrar as estruturas doentes. Isso será um grande auxílio para médicos e pacientes. 

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