A força que vem dos próprios filhos

SÃO PAULO - As mães que vão passar a data no hospital encontram nos próprios filhos internados a força para continuarem firmes. Ajudam nesse processo de fortalecimento a rede de apoio que envolve outras mães de quartos vizinhos, amigos e familiares nas mensagens por celular e até mesmo a fé pessoal. 

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2017 | 03h01

Mãe de gêmeos prematuros internados na UTI neonatal há três semanas, a assistente de departamento pessoal Natali Hayashida, de 26 anos, vai passar o primeiro Dia das Mães na maternidade. Se por um lado sentiu angústia na semana anterior à data, por já saber que não poderia comemorar em casa, por outro se inspirou na resistência de Murilo e Isabela. 

“Meu coração aperta de não poder trazê-los para casa, ficar com eles, passar o primeiro Dia das Mães com eles em casa”, diz Natali. “Mas cada dia é uma evolução. Eles mesmos me dão forças todo dia para levantar. Eu vou porque eles precisam de mim.”

Os bebês nasceram em 21 de abril, após 31 semanas de gestação. O parto foi adiantado porque o menino ocupava mais espaço na barriga do que a menina. Ele nasceu bem, mas a pequena saiu cansada e precisou de aparelhos para respirar. “Quando tive alta, saí da maternidade chorando. Pensava: estou indo embora e meus filhos estão ficando. Foi uma sensação de abandono. 

Enquanto aguarda a alta dos bebês, Natali troca experiências em uma sala da Pro Matre Paulista, na região da Avenida Paulista, com outras mães que também têm filhos hospitalizados. Nas mesas, ficam disponíveis revistas da maternidade com relatos de mães que já passaram por ali e compartilham as próprias experiências.

Fé. Há quem busque a fé para resistir aos dias difíceis, como a recepcionista Luciana Moreira, de 34 anos. Desde que a filha Julia, de 6 meses, foi internada com uma bronquiolite, ela fincou o pé no Hospital e Maternidade São Luiz. Já são 15 dias dormindo no quarto com a menina. “Não saí um momento do lado dela. E continuarei até ela sair. Ninguém me tira daqui”, diz Luciana, que também é mãe de Hugo, de 12 anos.

O filho, que não vê a mãe nem a irmã desde a internação, está ansioso para reencontrá-las. Pelo telefone, os dois conversam e Luciana pede que o filho reze. Enquanto está no quarto com a menina, a mãe reza e canta para ela. “Converso muito com ela. Peço para ela ser forte, para não desistir. Peço que Nossa Senhora toque no peito dela para que tenha uma respiração melhor. Foram muitas orações, minhas e da minha família. Todo mundo nesse momento se fortalece com a fé.” 

Na semana passada, Luciana conversou com a médica responsável pelo quadro da filha. Disse que o Dia das Mães estava chegando e questionou quando a bebê teria alta. Julia ainda tem secreção no pulmão e está tomando antibióticos, e a previsão de saída é amanhã ou, no máximo, terça-feira. 

“O que me dá força é ela. Ela se mostrou resistente e respondeu a tudo. Isso me deu mais força. Se ela está passando por esse processo, está resistindo e lutando, então tenho de ser forte também. Isso fez com que nós duas ficássemos bem e chegássemos nesse estágio. Melhor agora é só voltar para casa.”

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