Luca Franzese/ REUTERS
Luca Franzese/ REUTERS

‘A Itália nos abandonou’, diz homem em quarentena que ficou 36h preso em casa com cadáver da irmã

Luca Franzese denunciou negligência das autoridades e da funerária através de um vídeo em suas redes sociais, no qual aparece ao lado do corpo de sua irmã

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2020 | 13h07

O irmão de uma mulher que morreu em casa após contrair coronavírus publicou um apelo desesperado nas redes sociais para persuadir as autoridades italianas a coletarem o cadáver de sua irmã. Aos 47 anos, Teresa Franzese morava com a família na cidade de Nápoles, na Itália, e começou a demonstrar sintomas do vírus na semana passada. Sua saúde deteriorou rapidamente e, no sábado, 7, ela faleceu antes de receber o diagnóstico da doença. 

A incerteza do motivo de óbito fez com que agentes funerários e até o hospital local de Nápoles se recusassem a buscar o corpo de Teresa. "Minha irmã está morta na cama. Eu não sei o que fazer. Eu não posso lhe dar o funeral que ela merece porque todas as instituições me abandonaram”, disse Luca Franzese, em um vídeo do Facebook no qual o cadáver aparece ao fundo. 

"Nós fomos arruinados. A Itália nos abandonou. Vamos ficar fortes juntos. Por favor, compartilhem esse vídeo em todos os lugares", disse o personal trainer, se esforçando para conter a emoção. Finalmente, após 36 horas de espera, agentes funerários vestindo roupas de proteção chegaram ao local e retiraram o corpo direto para o cemitério local, onde Teresa foi enterrada sem um funeral. Sua família ficou de quarentena em casa, por medo de que eles também estivessem infectados com a doença. 

De acordo com Franzese, sua irmã sofria de epilepsia e, à medida que sua condição se deteriorou, ele insistiu para que ela fizesse exames do coronavírus. “Para mantê-la viva, eu tentei ressuscitação boca-a-boca. Ninguém se importou”, disse. O resultado dos exames finalmente mostrou que ela estava infectada com o coronavírus. Testes posteriores mostraram que outros dois membros da família também estava com a doença, mas Luca não contraiu o vírus. 

Em entrevista à TV italiana, Luca afirmou que as autoridades locais declararam o motivo da morte como epilepsia. “Como eles podem saber disso se um exame post mortem não foi realizado?”, escreveu o irmão em suas redes sociais.

Até o momento, a Itália fechou quase todos os seus estabelecimentos, com exceção de farmácias e supermercados. Este é o isolamento mais rigoroso da Europa, onde o país figura como o mais afetado pela pandemia, atrás apenas da China no cenário mundial em número de casos e mortes. / REUTERS

 

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