A maior chance de compatibilidade é entre irmãos

A medula é um líquido que fica dentro dos ossos. Lá, são produzidos os componentes mais importantes que formam o sangue. Os glóbulos brancos, agentes de defesa do organismo; os glóbulos vermelhos, que carregam oxigênio para as células do corpo; e as plaquetas, que compõem o sistema de coagulação. Uma das indicações de transplante é a anemia aplástica, doença que se caracteriza pela falta de produção de células do sangue na medula. Ou seja, a medula pára de funcionar. A outra indicação é a leucemia, um câncer que afeta a velocidade de produção e a própria função dos glóbulos brancos. Um hemograma de uma pessoa sem a doença registra de 5 mil a 10 mil glóbulos brancos. Em quem tem leucemia, apenas cem. A leucemia pode ser crônica, que acomete principalmente adultos e tem evolução lenta, muitas vezes sem sintomas. Ela acaba sendo descoberta por acaso, em exames de sangue de rotina. Já a leucemia aguda sempre tem sintomas, como anemia intensa e infecções. O transplante de medula óssea pode ser autogênico, quando as células da medula são do próprio paciente. "Alguns tipos de câncer pedem doses gigantes de quimioterapia capazes de intoxicar a medula. Então, antes do tratamento, retira-se a medula para resguardá-la do remédio. Pouco tempo depois, ela é recolocada", explica Mair Pedro de Souza, hematologista do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú. Outro tipo de transplante é o alogênico, quando as células são doadas. A retirada de líquido é feita por meio de punções. A medula do receptor começa a se recompor em cerca de 15 dias. No doador, ela já está plenamente reconstituída em algumas semanas. As maiores chances de compatibilidade são entre irmãos - cerca de 25% a 30%. Já entre desconhecidos, é de um para cada cem mil. "A compatibilidade entre pais e filhos é muito remota pois metade da carga genética é herdada de cada um de nosso pais", esclarece Souza. No Brasil, são feitos cerca de 1,5 mil transplantes de medula óssea por ano. Desses, cerca de 150 são os chamados não aparentados. Sempre há chance de rejeição, quando as células da medula óssea do doador não reconhecem os órgãos do receptor. O tipo de rejeição mais comum tem o nome de doença do enxerto contra o hospedeiro, que pode ocorrer em até 40% a 50% dos transplantados. As formas graves da doença do enxerto, porém, acometem de 5% a 20% dos transplantes. Nesses casos, o tratamento pode ser feito com doses altas de imunossupressores (remédio contra a rejeição).

Agencia Estado,

18 de junho de 2006 | 10h15

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