Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
A vida com HIV: avanços e desafios
Conteúdo Patrocinado

A vida com HIV: avanços e desafios

Em evento online, especialistas falaram sobre a importância de vencer preconceitos e garantir tratamento adequado para quem vive com o vírus

Janssen, Media Lab Estadão
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

16 de dezembro de 2020 | 08h00

Quase quatro décadas depois dos primeiros relatos das infecções de origem desconhecida que intrigavam os médicos, avanços científicos trouxeram boas respostas, tanto em diagnóstico quanto em tratamento das pessoas que possuem o vírus da imunodeficiência humana – HIV, na sigla em inglês. Mas é ilusório imaginar que esse deixou de ser um problema de saúde pública quando se estima que no mundo todo 38 milhões de indivíduos convivem com o vírus.1

Para falar sobre prevenção, tratamento, acolhimento e a importância de derrubar tabus sobre HIV/aids, o Media Lab Estadão promoveu o Diálogos Estadão Think A Vida com HIV: Avanços e Desafios, com patrocínio da Janssen e moderação da jornalista Rita Lisauskas.

A conversa começou com um importante esclarecimento: ter o HIV não significa ter aids. “Essas palavras só eram consideradas sinônimos até o meio da década de 1990. Hoje, com o tratamento antirretroviral, quem tem HIV pode passar a vida toda com saúde, sem nunca manifestar a doença”, destacou o infectologista Rico Vasconcelos, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

A preocupação de especialistas, porém, é que o sucesso em frear os danos do vírus ao organismo esteja promovendo uma sensação de segurança capaz de resultar num aumento de contágio. “É muito triste ver a quantidade de jovens descobrindo a infecção já com a doença em andamento. Precisamos reverter esse quadro, e, para isso, trabalhar contra o preconceito e o estigma é fundamental”, defendeu a infectologista Rosa Alencar, coordenadora adjunta do Programa Estadual IST/Aids São Paulo.

No cenário da pandemia de covid-19, preocupa também a redução no número de pessoas que iniciaram o tratamento com antirretroviral, apontada pelo Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde. Para evitar interrupções nos tratamentos, uma das orientações do órgão foi ampliar para até 120 dias a dispensação desses medicamentos, evitando assim muitas idas aos serviços de saúde.

O caminho para controlar o avanço da infecção por HIV passa pela testagem. “Ela deve ser incorporada aos exames de rotina, assim como a dosagem do colesterol”, disse Rosa Alencar. “Nas populações mais expostas, caso de profissionais do sexo, a recomendação é fazer semestralmente”, esclareceu. Para as grávidas, para prevenir a transmissão do vírus ao bebê, é importante testar no primeiro e no último trimestres da gestação e no momento do parto. “Hoje existe uma gama de exames para isso, incluindo os testes rápidos”, continuou a médica. Disponível em farmácias, o autoteste é realizado com uma gota de sangue do dedo ou fluido oral, e em poucos minutos tem-se o resultado. “A pessoa pode fazer em casa, sozinha ou na companhia de alguém de sua confiança. Nos serviços de saúde é possível realizar numa cabine, com toda privacidade”, completou.

Ainda no quesito prevenção, os especialistas destacaram a profilaxia pré-exposição (PrEP). A estratégia consiste no uso de antirretrovirais por indivíduos cujo perfil de vida os coloca em risco maior de contato com o vírus. “É o método que mais teve impacto na redução de infectados pelo HIV”, justificou Rico Vasconcelos. Já a profilaxia pós-exposição (PEP) entra em cena quando a pessoa descobre que foi exposta – não usou a camisinha ou esta se rompeu e o parceiro está infectado. A PEP deve ser iniciada preferencialmente nas primeiras duas horas após a exposição, mas é válida até 72 horas depois, e o coquetel de medicamentos é tomado por 28 dias.

Com o tratamento adequado – que aliás é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – e o acompanhamento médico regular, a carga viral pode se tornar indetectável e, portanto, intransmissível. “Esse conceito é relativamente novo, e é importante que seja divulgado. A adesão ao tratamento melhora quando a pessoa sabe que não transmitirá mais o HIV por via sexual”, ponderou Rosa. “Saber disso diminuiria o estigma e traria mais aceitação”, concordou a jornalista Roseli Tardelli, diretora-presidente da Agência de Notícias da Aids.

Na visão de Rico Vasconcelos, a sorofobia (discriminação com pessoas HIV+) está por trás da interrupção dos tratamentos. “A dor de ser julgado atrapalha o processo”, salientou o psicoterapeuta Felipe Estevam, que vive com HIV desde 2004. “O acolhimento e a escuta treinada para ouvir dúvidas e medos é parte importante do acompanhamento”, concluiu.

Ela superou o diagnóstico e realizou o sonho de ser mãe

Infectada com HIV há seis anos, a escritora Thaís Renovatto falou sobre o impacto da descoberta do vírus. “Meu namorado morreu em decorrência complicações da aids. Eu achava que HIV era algo muito distante de mim. Quando recebi o diagnóstico, segui a orientação de um psicólogo e tirei um tempo para digerir a informação. Só contei que tinha dado positivo quando me senti fortalecida. Aí então já não me magoava se eu percebia que uma menina no trabalho não queria usar o banheiro depois de me ver sair dele. Meus amigos são tão incríveis que, se alguém se afastou de mim depois de saber do HIV, nem reparei, não fez diferença. Costumo dizer que a rede de apoio é tão importante quanto o remédio em si. Estou casada há cinco anos, e meu marido não é soropositivo. Como temos um relacionamento fechado e a carga viral está indetectável, ao decidir engravidar, dispensamos o preservativo. Nas gestações de meus dois filhos fui muito bem orientada. Fiz testes em intervalos mais curtos e durante o parto tomei o AZT [antirretroviral], que também foi dado, como xarope, aos bebês. Seguimos todos os protocolos, inibi a lactação [a amamentação não é recomendada mesmo com a carga viral indetectável]. Gerei duas crianças saudáveis. A mulheres com HIV precisam saber que podem ser mães.”

Referências:

1https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hiv-aids

2http://www.aids.gov.br/sites/default/files/legislacao/2020/portarias_e_oficios_ministeriais/oficio_circular_n_16.2020.dcci_.svs_.ms_.pdf

3https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-12/ministerio-da-saude-apresenta-dados-e-acoes-de-combate-aids-no-pais


 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.