Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

'A vida precisa voltar à normalidade', diz governador do Amazonas sobre retomada da economia

Governo montou um planejamento com quatro ciclos que serão cumpridos no período de 1.º de junho a 1.º de setembro

Thaíse Rocha, Especial para O Estado 

27 de maio de 2020 | 19h03

MANAUS - Após uma redução no número de óbitos pelo  novo coronavírus em Manaus, o governador do Amazonas Wilson Lima (PSC) confirmou que o comércio reabrirá gradualmente a partir do próximo dia 1º de junho. No Interior, que detém 54% dos casos de coronavírus no Amazonas, a decisão ficará sob critério das prefeituras.

Lima já havia antecipado, no domingo, 24, a retomada do comércio porque a "a vida precisa voltar à normalidade". Mas em coletiva à imprensa na terça-feira, 26, esclareceu que a suspensão das medidas restritivas iria depender da curva de casos do novo coronavírus, caso contrário, o Estado iria retroceder com a decisão. O decreto que permite apenas serviços essenciais vai até o dia 31 de maio.  

Para abertura gradual do comércio em meio à pandemia do, o Governo do montou um planejamento com quatro ciclos que serão cumpridos no período de 1.º de junho a 1.º de setembro. Além de lojas, as igrejas voltarão a reabrir.

No primeiro ciclo, que inicia no dia 1º de junho, retomam as atividades: lojas de artigos variados (como cama, mesa e banho, além de roupas e calçados); joalherias, serviços de publicidades e afins, petshops, agências de turismo, concessionárias, óticas, floriculturas e bancas de revistas em locais públicos. Igrejas e templos também irão reabrir com condições específicas: apenas 30% de ocupação com eventos de 01 hora de duração e intervalo de, no mínimo, 05 horas entre um evento e outro.

"O objetivo do Estado não é fazer com que as pessoas fiquem segregadas. Nós temos lideranças que conseguem controlar seus fiéis. Temos a garantia desses pastores, nos reunimos com pelo menos 20 lideranças religiosas para que toda essa dinâmica seja respeitada", disse o governador Wilson Lima, justificando o retorno dos cultos em templos e igrejas.

Grupos de risco permanecem em casa nesta primeira fase e não retornam às atividades normais. Caso não haja uma nova crescente de casos de infecções pelo novo coronavírus, o ciclo 2 entra em vigor a partir do dia 15 de junho.

Somando-se aos serviços anteriores, serão incluídos lojas de informática; restaurantes, cafés, padarias e estabelecimentos fast-food para consumo no local; loja de cosméticos e perfumarias; escritórios contábeis; lojas de brinquedos e papelarias; lojas de departamentos e magazines; assistência técnica e bancas de jornais e revistas em espaços internos.

Já o 3º ciclo começa no dia 29 de junho — nas duas semanas iniciais, os grupos de risco ainda não retornam. Aqui, funcionam lojas de artesanato, salões de beleza, comércio varejista de doces, objetos de arte, varejista de armas e munições; além de academias e similares.

O 4º e último ciclo está previsto para o dia 6 de julho, quando os grupos de risco voltam às atividades exceto se não permitido por ordem médica. Creches, escolas e universidades da rede privada; cinemas (com capacidade máxima de 50%); outras atividades não contempladas nos ciclos anteriores.

Bares, casas de shows e eventos, além das escolas das redes municipal, estadual e federal seguem sem data definida para abertura.

Distanciamento social

Em todos os ciclos, o órgãos de saúde estabeleceu protocolos padrões a serem seguidos por todos os setores, público e privado, além da população. Será mantido distanciamento social — 1,5 metro de distância entre pessoas ou uso de barreira física (protetor facial, divisória etc); limitar o número de pessoas em ambientes; reorganizar espaços de trabalho; e manter filas controladas por marcação para garantir espaçamento. O governo estadual destacou que, se possível, privilegiar o home office.

Além disso, o uso de máscaras segue sendo obrigatório. Os lojistas e empresários deverão disponibilizar maior quantidade de estações para lavagem de mãos e álcool em gel 70%, fornecer equipamentos necessários para proteção e implementar lavagem de mão foram do ambiente, obrigatório para entrada no estabelecimento.

Os locais deverão ser sempre ventilados e limpos. O lixo deverá ser removido 3 vezes por dia, aparelhos de ar-condicionado devem ser limpados com frequência.

Fiscalização

Lima ressaltou que a capacidade da rede estadual de saúde aumentou e, por isso, o planejamento de reabertura entrará em vigor. Entretanto, a qualquer sinal de aumento de casos, o Governo não exitará em retroceder. Haverá fiscais nas ruas para monitorar o cumprimento das medidas. 

"Nós temos equipes da PM, PC, Procon e FVS-AM que estão acompanhando o comportamento das áreas em que há maior aglomeração. É impossível que o Estado faça isso sozinho, é preciso que haja sensibilidade das pessoas", disse.

Casos 

No boletim epidemiológico divulgado nesta quarta-feira, 27, o Amazonas contabiliza 33.508 casos confirmados do novo coronavírus. Destes, 14.800 são de Manaus (44,17%) e 18.708 do Interior (55,83%). Em relação às mortes, foram registradas 1.891 óbitos na capital amazonense. Já no Interior, 619 vidas perdidas. Cerca de 26.742 pessoas já passaram pelo período de isolamento (14 dias) e se recuperaram da doença.

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