Abaixo da média, RJ tenta reforçar transplante de órgãos

Com o objetivo de recuperar o quadro do sistema de transplantes no Estado, o governo do Rio de Janeiro lançou um programa que pretende aumentar em 127% o número de doadores de órgãos e contornar as falhas dos hospitais da rede pública. Entre as medidas anunciadas pelo governador Sérgio Cabral e pelo secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, estão a criação de uma central para coordenar os procedimentos de transplante, a remuneração suplementar dos profissionais que realizam as operações e o credenciamento de cinco hospitais privados, que passam a atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

BRUNO BOGHOSSIAN, Agência Estado

26 Abril 2010 | 18h33

Atualmente, o Rio tem uma média de 4,4 doadores de órgãos por milhão de habitantes - quase metade da média nacional, de 8,7 por milhão. Em Santa Catarina e São Paulo, considerados modelos de captação, as taxas chegam a 19,8 e 16,9, respectivamente. A meta do governo do Rio é chegar ao fim do ano com a taxa de 10 doadores por milhão de habitantes.

Para estimular doações e captações de órgãos, o Programa Estadual de Transplantes (PET) deslocou equipes especializadas para os principais centros de trauma da rede hospitalar estadual e estabeleceu uma remuneração suplementar para os envolvidos nas operações. "Os profissionais que são chamados até nos fins de semana e madrugadas para a captação de órgãos e realização dos transplantes passam a ter mais um incentivo", explicou Côrtes.

Uma nova central vai coordenar a lista única de transplantes do Estado e manter contato permanente com as equipes responsáveis pela captação de órgãos. "Será uma ''torre de controle'' para acompanhar a situação nos hospitais", comparou o coordenador da central, Eduardo Rocha.

Além de tentar estimular as doações, o PET também pretende reduzir o tempo de espera nas filas a partir da ampliação da rede credenciada pelo SUS para a realização de transplantes. A partir de agora, os particulares São Vicente de Paulo, Quinta D''Or (ambos na zona norte da capital), Barra D''Or (zona oeste), Hospital Adventista Silvestre (zona sul) e Hospital de Clínicas de Niterói (na região metropolitana) passam a receber pacientes da fila de transplantes que não puderem ser operados na rede pública.

"É importante deixar claro que as filas continuam existindo nos hospitais públicos, mas, caso haja problemas no centro cirúrgico ou na equipe, por exemplo, o paciente poderá ser operado num desses hospitais privados", disse Côrtes. "No passado, se o hospital público não tinha condições de operar, o órgão era oferecido ao paciente de um hospital privado. Isso acabou", decretou.

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