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Abelha engana pesquisadores. Bazinga!

Por parecer com espécie já conhecida, animal é batizado com chavão de 'The Big Bang Theory'

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2013 | 02h06

Amigos do nerd mais famoso da TV na atualidade - Sheldon Cooper, da série The Big Bang Theory - já sabem o que vão ouvir quando o físico teórico resolve lhes pregar uma peça. "Bazinga!", solta ele sarcástico e divertido após suas piadinhas compreensíveis somente para outros nerds. Pois foi por pregar uma peça em cientistas que uma abelha de orquídeas que vive na transição entre o Cerrado e a Amazônia brasileira ganhou o nome de Euglossa bazinga.

Depois de enganar zoólogos por anos por ser muito semelhante a uma outra espécie mais comum na região, a Euglossa ignita - o que fazia com que eles imaginassem se tratar da mesma -, suas diferenças foram reveladas por André Nemésio e colegas da Universidade Federal de Uberlândia. Quando percebeu as peculiaridades da abelha, o biólogo mineiro não resistiu: "Bazinga!", anunciou aos colegas.

No trabalho em que descrevem a espécie, publicado em dezembro na revista Zootaxa, os autores explicam que o epíteto honra o "inteligente, engraçado e cativante nerd Sheldon Cooper" porque a abelha também os enganou por muito tempo.

O gracejo rendeu comentários até do produtor executivo da série, Steve Molaro, que disse que Sheldon, representado pelo ator Jim Parsons, sentiria-se honrado. "Nós sempre ficamos extremamente lisonjeados quando a comunidade científica abraça nosso show", disse ao site da rede CBS, que transmite a série nos EUA. No Brasil, é transmitida pelo Warner Channel.

Segundo Molaro, depois de "Mothra" (mariposa gigante rival do Godzilla) e grifos, abelhas são a terceira criatura voadora favorita de Sheldon, apesar de ser alérgico a elas.

Segundo Nemésio, a nova espécie é restrita à região do noroeste de Mato Grosso - ao contrário de sua parente E.gnita, que se distribui da América Central ao Rio de Janeiro.

O grupo das abelhas de orquídea tem cerca de 250 espécies conhecidas e apresenta a peculiaridade de os machos visitarem a planta para fins reprodutivos. "Eles coletam o perfume e o usam como precursor de feromônio sexual para atrair as fêmeas", conta.

O conhecimento dessas espécies é importante, diz, porque muitas estão desaparecendo junto com a perda das florestas. E, uma vez que os insetos somem, aumenta também a perda da vegetação. Só na Mata Atlântica, cerca de mil espécies de orquídeas dependem dessas abelhas para serem polinizadas.

Para chamar atenção para a importância desses animais, não é a primeira vez que Nemésio nomeia espécies com ícones populares. Entre as cerca de 30 que já descreveu, uma ganhou o nome de seu time - Eulaema atleticana, em homenagem ao centenário do Galo -, e a outra fez referência a Ronaldinho Gaúcho - Eulaema quadragintanovem, que veste a camisa 49 no time.

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