A.C.Camargo Cancer Center/Divulgação
A.C.Camargo Cancer Center/Divulgação

A.C. Camargo e Sabará se unem para oferecer centro de excelência para câncer infantil

Parceria tem como foco permitir jornada completa para crianças, adolescentes e jovens adultos com câncer

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2021 | 20h01

SÃO PAULO - A descoberta de um câncer infantil ocorre, normalmente, no pronto-socorro após um episódio de febre persistente, queda do estado geral ou sangramento. Depois do diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento costumam ser realizados em hospitais oncológicos com foco em pacientes pediátricos. Para permitir uma jornada completa do diagnóstico ao tratamento, o Sabará Hospital Infantil e o A.C. Camargo Cancer Center decidiram unir suas experiências e iniciar um projeto para desenvolver um centro de excelência para câncer infantil.

Diretor-geral do A.C. Camargo, o médico patologista Victor Piana De Andrade relata que o olhar para o atendimento do paciente infantil e a sinergia entre os hospitais impulsionaram a parceria, fechada no mês passado e que já está recebendo os primeiros pacientes.

"Em um paciente adulto, o sucesso é conseguir dar sobrevida e qualidade de vida. Na criança, o objetivo é mais amplo. A gente quer curar para ter um adulto produtivo e livre de preconceitos, com autoestima boa. Tem de trabalhar o desenvolvimento psicomotor, a saúde mental e garantir a fertilidade da criança, porque a radioterapia e a quimioterapia sempre deixam rastros."

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 8.460 casos de câncer infantojuvenil e 2.554 óbitos. Os principais tipos são as leucemias, tumores no sistema nervoso central e linfomas.

"Nas crianças, 25% dos casos são tumores no sistema nervoso central, cérebro ou medula, 40% hematológico, como linfoma e leucemia, e 10% são sarcoma, ósseo, cartilagem e partes moles. Depois, mais raros, carcinoma e em órgãos", detalha Andrade.

Ele explica que o hospital conta com mais de 70 especialidades para o atendimento de adultos, mas não tem toda a rede da área de pediatria. O hospital desenvolve trabalhos com crianças por meio do Grupo de Estudos Pediátricos dos Efeitos Tardios do Tratamento Oncológico (Gepetto) e de um programa para cuidar de adolescentes e jovens adultos, na faixa de 12 a 30 anos, que foram diagnosticados com câncer.

"Dada a raridade do câncer infantil, ele não é detectado por prevenção. É normal para o adulto pensar em doenças, mas, na criança, ele é descoberto por meio de dor que faz com que a criança não pare de chorar, sangramento inexplicável, febre que não vai embora." Segundo ele, 85% dos casos são curados.

Na parceria, profissionais de ambos os hospitais estarão presentes nas duas unidades. "O Sabará tem um pronto-socorro, mas não tem toda a equipe oncológica. E a gente não tem tudo que uma criança pode precisar. Então, imagina dar perfeição na jornada do paciente que chega com uma suspeita no Sabará e pode entrar no A.C. Camargo. Essa parceria amplia a qualidade e o potencial no ambiente privado."

União de expertises é tendência

CEO do Sabará Hospital Infantil, Ary Ribeiro diz que a união de expertises está se tornando uma tendência no exterior e pode beneficiar pacientes, profissionais e os hospitais.

"Temos de buscar desenvolver parcerias com aqueles com quem temos afinidade, com soluções que tenham a melhor utilização dos recursos disponíveis para ter o melhor resultado. É uma possível nova forma de beneficiar o sistema com complementaridade. Isso é rico para o sistema e a riqueza da humanidade é se preponderar com a diversidade."

Ribeiro diz que, por exemplo, o Sabará não realiza radioterapia, tratamento que pode ser feito no A.C. Camargo, mas faz procedimentos cirúrgicos. Além disso, conta com cirurgiões, psicólogos, fisioterapeutas, nutrólogos e demais profissionais da pediatria que vão fazer o acompanhamento dos pacientes e dar suporte à família.

"Isso foi construído com uma sólida base técnica, com principais linhas de cuidado e as desenhamos com um sentido de continuidade do cuidado, independentemente se a porta de entrada é o A.C. Camargo ou o Sabará."

Dessa forma, de acordo com Ribeiro, o hospital não tem a necessidade de criar um centro oncológico do zero, mas apostar em uma troca de experiências.

"O objetivo é oferecer para o sistema de saúde suplementar uma opção de centro de excelência, que agrega valor, porque a gente não está falando em grandes investimentos, mas de usar melhor as competências e expertises. É mais eficiente do que grandes investimentos em estrutura."

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