Academia Brasileira de Rinologia lança campanha para estimular respiração saudável

Queda da temperatura e dias mais secos do inverno contribuem para aumento de doenças como asma

estadão.com.br

29 Julho 2010 | 16h10

SÃO PAULO - Nesta sexta-feira, 30, a Academia Brasileira de Rinologia lança uma campanha para estimular a respiração saudável. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 70% da população respira de forma errada, prejudicando os pulmões e órgãos adjacentes.

A segunda edição da campanha "Respire pelo Nariz e Viva Melhor" pretende alertar e orientar a população sobre as vantagens de respirar pelo nariz e dos perigos que a falta desse hábito pode causar à saúde.

A ação quer esclarecer as principais dúvidas sobre os cuidados com a respiração nasal, além de dar dicas de prevenção à gripe, diferenças entre resfriados, rinites e sinusites; ronco e apneia do sono; obesidade e respiração; alterações do olfato e doenças que causam a obstrução nasal.

Por isso, conhecer melhor doenças como a asma, entender as causas e fazer uso de medicamentos controlados, que evitem crises, ajudam muito a diminuir a incidência do problema no inverno.

A queda da temperatura e os dias mais secos contribuem para o aumento das crises de asma, por exemplo, principalmente entre as crianças. Porém, outro agravante para a incidência da doença nesta época do ano é o descaso em relação à prevenção, que exige um conhecimento das causas por parte dos pacientes e a continuidade do tratamento durante o ano todo.

Por se tratar de uma enfermidade de tratamento fácil, na maioria das vezes, as preocupações do asmático com sua saúde só ganham importância quando a falta de ar já está instalada. Especialistas reforçam que a crise é apenas o auge do problema, a ponta do iceberg. O paciente tem a doença 100% do tempo, o que torna o tratamento continuado de extrema importância para o controle e uma melhor qualidade de vida do indivíduo.

O pneumologista pediátrico Bernardo Kiertsman, professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, explica que as doenças respiratórias são frequentes durante todo o ano, mas mais incidentes no outono e inverno. "Nesta época, é comum usarmos roupas mais pesadas e que, na maioria das vezes, estão guardadas há muito tempo.

O acúmulo de pessoas em ambientes fechados e mal ventilados se torna mais frequente e contribui para que os asmáticos fiquem mais suscetíveis às crises", destaca o médico, reforçando que o controle ambiental adequado, principalmente dentro de casa, é uma das melhores formas de prevenção.

O ar frio, irritante para a mucosa respiratória e possível causador do fechamento dos brônquios, associado ao maior tempo dentro de ambientes fechados por causa do frio, a presença de poeira, ácaros e outras substâncias alergênicas, e a maior ocorrência de resfriados e gripes acabam formando um cenário ideal para a piora dos sintomas e a ocorrência das crises de asma. A chegada das frentes frias, comum nesta época, também propicia o acúmulo de poluentes sobre as cidades e costuma prejudicar ainda mais os pacientes.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), atualmente há 18 milhões de asmáticos no Brasil, ou seja, 10% da população brasileira. O Datasus/Ministério da Saúde de 2009 indica que a doença teve um índice de mortalidade de 3.111 casos e é a terceira causa de hospitalizações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - excluindo a gravidez -, sendo responsável por 275 mil internações por ano. Em 2009, os cofres públicos registraram gastos de R$ 87 milhões com a doença. O Brasil é o 8º país em incidência de casos de asma no mundo, segundo a revista Lancet (1998).

Tratamento e controle

O tratamento da asma tem três pilares: ação educativa do paciente e familiares para controle da doença, higiene do ambiente e tratamento farmacológico de manutenção e da crise. Entre os medicamentos mais indicados, estão os broncodilatadores de ação imediata. Recomendados para o tratamento da crise aguda, podem ser utilizados via inalatória sob a forma de spray ou nebulização. Em casos mais severos, é necessária a utilização de anti-inflamatórios por via oral ou endovenosa, por um curto período.

"Atualmente, temos dado preferência aos sprays por sua praticidade, duração menor da aplicação, menores doses e, consequentemente, menor custo, para obtermos o mesmo efeito clínico necessário", explica o Dr. Kiertsman.

Há medidas domiciliares que podem auxiliar a pessoa que tem asma a evitar as crises ao longo do ano. "É possível ter uma boa resposta com procedimentos domésticos, como usar umidificadores de ar, fazer a manutenção correta do ar condicionado, limpar a casa com pano úmido, não levantar poeira com espanador ou vassoura, evitar odores fortes, animais de sangue quente, plantas e, principalmente, contato com fumaça de cigarro", recomenda Kiertsman.

Sobre a asma

A asma é uma doença inflamatória crônica, sem cura e caracterizada pelo estreitamento generalizado dos brônquios, cuja intensidade varia de pessoa para pessoa. Ela pode ser desencadeada por fatores alérgicos, irritantes, infecções por vírus e problemas emocionais, entre outros. É mais comum em crianças e adolescentes, mas também incide entre adultos.

A asma não tem cura. É uma doença que, se tratada de forma adequada, proporciona qualidade de vida ao seu portador. O indivíduo asmático é submetido a um tratamento contínuo para manter a doença sob controle. "A finalidade do tratamento preventivo é diminuir o número de crises, aumentar o espaço entre elas e que, caso ocorram, sejam facilmente reversíveis, sem a necessidade de procurar um pronto-atendimento. Esse controle deve ocorrer com o menor número de medicamentos e na menor dose", explica o especialista. E completa: "O desafio é conseguir que o asmático possa ter uma qualidade de vida normal ou muito próxima da normalidade".

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