Academia Nacional de Medicina critica ação do governo contra Ebola

Para entidade, se doença entrar na Amazônia será de difícil controle; Ministério afirmou que possibilidade de transmissão no País é baixa

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

04 Novembro 2014 | 19h48

Atualizada às 22h04

RIO - A Academia Nacional de Medicina divulgou nesta terça-feira, 4, nota em que faz críticas às providências tomadas pelo Ministério da Saúde para controlar a entrada no Brasil de pessoas infectadas pelo vírus Ebola. O texto é assinado por quatro médicos, que se manifestam em nome da entidade: José Rodrigues Coura, José Carlos do Valle, Gerson Canedo de Magalhães e Celso Ramos Filho.

"O grande risco para o Brasil está nos acessos por terra. No sul, africanos de diferentes países - até mesmo aqueles com epidemia de Ebola - continuam chegando sem o menor controle. Em Caxias do Sul (RS) existe uma associação específica destinada ao acolhimento social e que providencia empregos para esses imigrantes", diz o texto.

No documento, a Academia Nacional de Medicina sustenta considerar "mais grave ainda" a "entrada dos oriundos do oeste da África, principalmente do Senegal e Nigéria (poucos de Serra Leoa), através de rota por avião Dakar-Madri-Equador, que entram neste país (Equador) sem necessidade de visto".

"Segundo a Polícia Federal brasileira, os imigrantes mais pobres são cooptados por ''coiotes'', que lhes acenam com possibilidade de emprego no Brasil (Acre). Utilizando táxis, viajam até o Peru ou a Bolívia e daí, à noite, chegam a Rio Branco sem serem importunados. (...) Isto já foi denunciado e as providências efetivas não foram tomadas. É a tragédia anunciada", denuncia a entidade.

Para a Academia Nacional de Medicina, se a doença ingressar na Amazônia "certamente será de difícil controle. Urge das autoridades providências em todos os sentidos: dos Ministérios da Saúde, Justiça - intensificando a vigilância por terra nas fronteiras durante as 24 horas -, Relações Exteriores - maior rigor no controle de vistos e emissão de passaporte daqueles oriundos das regiões mais acometidas -, e outros mais que, a juízo do Poder Executivo, possam agir de forma integrada para conter esta temível infecção".

O texto recomenda que o Ministério da Saúde "aconselhe as Secretarias Estaduais de Saúde a tomar providências de vigilância e atenção médica para eventuais casos da doença" e afirma que será "difícil" realizar exames laboratoriais em Belém e oferecer atendimento médico em um único hospital do Rio de Janeiro.

"A estrutura de atendimento aos doentes não pode ser concentrada, tem que haver capacidade de atendimento em todo o País", afirma o infectologista Coura, um dos autores da nota.

Fronteiras. Em resposta, o Ministério da Saúde afirmou que é baixa a possibilidade de transmissão do vírus Ebola no Brasil, tanto por entrada em aeroportos e portos como pelas fronteiras terrestres. “Mesmo assim, o Brasil fortaleceu a preparação para a detecção e resposta às emergências de saúde pública, utilizando as mais modernas estratégias e tecnologias disponíveis e as lições aprendidas com emergências reais”, diz a pasta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.