Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Academias apostam em métodos para aliviar dores em clientes

Equipamentos e programas são desenvolvidos para tratar quem tem problemas de coluna, maior causa de afastamento do trabalho

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S. Paulo

18 Outubro 2015 | 06h00

RIO - A psicanalista Renata Burstok, de 41 anos, sente há anos dor crônica na coluna cervical. Por causa da tensão e da má postura, as dores irradiaram para a cabeça. “Trabalho muito tempo sentada. Fiz outros tratamentos por dois anos, que aliviaram, mas não me deixaram sem dor”, conta. A solução foi encontrada recentemente na academia de ginástica.

Dados da Previdência Social mostram que as dores na coluna e os problemas nas vértebras, como hérnias e protusões, foram a maior causa de afastamento do trabalho no ano passado – 199.260 casos –, seguidos de fraturas na perna, punho, antebraço e pé. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 8 em cada 10 pessoas terão problemas na coluna em algum momento da vida. Atentas a esse problema, academias têm investido em programas de prevenção.

“Desde a infância até a fase adulta o que criamos foi uma linha de produção para dores nas costas, com pessoas ficando mais tempo sentadas, que se movimentam o mínimo possível. Elas querem achar que uma hora de academia compensa tudo. Mas a musculatura estabilizadora só é ativada quando eu me desestabilizo. Isso ocorre no esporte coletivo, nas brincadeiras da infância como o pega-pega, atividades que estão sendo deixadas de lado”, diz Cacá Ferreira, gerente técnico da Cia Athletica, rede de academias que criou o programa Prevenção.

Um software de computador cataloga as doenças e ocorrências médicas que mais afetam os alunos da academia, que existe em São Paulo, Rio, Paraná e Pará, entre outros Estados. O programa cruza a patologia com movimentos e exercícios indicados e os contraindicados para aquele tipo de problema.

“Exemplo bem típico contraindicado para lombalgia é o que o corpo está inclinado à frente. Se o aluno relatou a dor na coluna quando chegou à academia, o programa vai alertar, por exemplo, que o spinning não é um exercício adequado”, explica Cacá. “O programa vai indicar exercícios estabilizadores, mais parados, para que o aluno mantenha a postura e ative a musculatura.”

A instituição, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), está desenvolvendo um protocolo de exercício de agachamentos com bastão acima da cabeça (overhead squat). “Esse exercício pode vir a ajudar pessoas com dores nas costas. Pode ser um paradoxo, mas a barra exige mais da musculatura e o músculo ativado minimiza a dor. Estamos comparando com o protocolo tradicional e conseguindo bons resultados. São pessoas que já tentaram de tudo, nem o remédio ajuda mais. Estamos buscando o caminho do meio”, afirma Cacá.

A instituição também distribui cartilha com diretrizes do Colégio Americano de Medicina Esportiva, com dicas para que a dor não se agrave e o paciente possa voltar para as atividades normais. E ressalta que os exercícios são necessários depois de passada a fase aguda da crise. Não há cobrança extra pelo serviço. A avaliação já faz parte do pacote oferecido pela academia. O serviço sai por entre R$ 400 e R$ 500.

Alongamento. Renata Burstok encontrou alívio no Método Five, desenvolvido na Alemanha, em que são usados cinco aparelhos, equipamentos baixos. As aulas duram em média 30 minutos. “O objetivo é alongar e alinhar a coluna. Eu faço movimentos de quadril, de ombro, e o movimento postural alonga para frente ou para trás, como uma tração controlada por mim, dentro da minha capacidade”, afirma.

Ela manteve o pilates. Faz ambos no Espaço Stella Torreão, que tem a exclusividade do método no Rio. “Os dois exercícios se complementam. Um fortalece a musculatura. Mas no pilates você usa a força, o equilíbrio.”

O fisioterapeuta Lino Py explica que o método não é um treinamento, não delineia o corpo, como pilates ou ioga. “É um método para melhorar a mobilidade, fazer o alinhamento da coluna vertebral e ativar as cadeias musculares mais profundas”, afirma.

Por lidar com alunos que têm algum tipo de lesão, no Espaço Stella Torreão somente fisioterapeutas podem aplicar o método. “Temos alunos que sofrem de lombalgia, tensão muscular, e o resultado é impressionante. A melhora é muito rápida.” O custo de cada sessão é R$ 35 e são indicadas ao menos duas por semana.

A Academia Bodytech criou um projeto-piloto em três academias (Leblon, Ipanema e Gávea, na zona sul), o Postural, a partir de técnica desenvolvida pela terapeuta Cristina Heidt, com exercícios de solo, alongamentos e fortalecimento da musculatura. “A dor lombar está relacionada à falta de força e à mobilidade. Esse programa é focado no fortalecimento e na mobilidade”, afirma Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech.

A academia também tem o programa Care, na sala de musculação. Profissionais de educação física são treinados para preparar as séries de acordo com doenças que os alunos podem ter, como hipertensão, diabete, dor lombar. Os dados ficam no sistema e podem ser consultados por outros profissionais.

“Em alguns casos, aulas coletivas podem ser as mais indicadas, como a de barrel. São equipamentos em formato de meia-lua. É voltado para o fortalecimento da musculatura interna, difícil de ser recrutada. A aula é toda voltada para o abdominal”, explica Netto. Ele também indica o mat pilates, modalidade em que o exercício é praticado no solo. A mensalidade média fica em torno de R$ 300.

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