EFE/EPA/SALVATORE DI NOLFI
EFE/EPA/SALVATORE DI NOLFI

Ação da China sobre coronavírus traz alívio e Ibovespa volta aos 118 mil pontos

A disseminação produziu menos temores nos mercados internacionais nesta quarta. A Organização Mundial da Saúde ainda não deu uma palavra final sobre o assunto

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2020 | 20h11

SÃO PAULO - A disseminação do coronavírus produziu menos temores nos mercados internacionais nesta quarta-feira, 22, diante da postura do governo da China, que tem informado a população sobre a doença de forma mais clara do que na época da epidemia do SARS, entre 2002 e 2003. No Brasil, o alívio se traduziu em baixa na cotação do dólar, e ajudou o Ibovespa a voltar à casa dos 118 mil pontos.

A alta da Bolsa brasileira, que subiu 1,17%, a 118.391,36 pontos, acompanhou os índices acionários de Nova York. As bolsas americanas, no entanto, perderam força ao fim do pregão com a informação de que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não deu uma palavra final sobre o coronavírus, e que voltará a se encontrar nesta quinta, 23, para continuar as discussões sobre a declaração ou não de emergência de saúde pública. Analistas acreditam que a maior transparência das autoridades pode evitar impactos maiores.

No Brasil, a informação, dada pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais, de que uma mulher de 35 anos estaria internada em Belo Horizonte com suspeita de infecção pelo vírus após viajar para Xangai, na China, teve efeito apenas sobre os papéis de empresas aéreas, que perderam força durante a tarde, mas acompanharam a aceleração da alta da Bolsa na última hora do pregão.

Azul PN recuou 0,75%, e Gol PN fechou em alta de 1,36%. Na terça-feira, as ações de companhias do setor haviam sido bastante penalizadas, no Brasil e no exterior, pelos temores de difusão do vírus, o que poderia levar a uma queda na demanda global por viagens.

O Ministério da Saúde informou, em nota, que "não há detecção de nenhum caso suspeito no Brasil", e que o caso de Minas Gerais não se enquadra na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma vez que não há, até o momento, transmissão ativa do vírus em Xangai.

No exterior, o maior efeito foi sobre os contratos futuros do petróleo. O WTI para março caiu 2,81%, a US$ 56,74 o barril, e o Brent para o mesmo mês teve perda de 2,14%, a US$ 63,21 o barril. Temores sobre uma possível redução na demanda da commodity caso o vírus evolua para um surto como o do SARS puxaram a queda.

Além do alívio no câmbio e nos mercados acionários, os contratos futuros do ouro também fecharam em baixa. O analista de metais Daniel Briesemann, do Commerzbank, afirmou que a queda no preço do metal, em geral procurado em momentos de estresse nos mercados, mostra que o problema do coronavírus na China não está mais sendo visto "com tanta preocupação". Os preços de contratos futuros do cobre também caíram.

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