Acelerador aumenta potência para continuar procurando bóson de Higgs

Partícula é considerada chave para compreender origem da massa e estrutura da matéria

Efe,

13 de fevereiro de 2012 | 18h37

 O acelerador do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) aumentará neste ano sua potência para 4 TeV (teraelectronvolts) para poder obter o máximo volume de dados possível que permita comprovar ou descartar a existência do bóson de Higgs.

Esse foi o anúncio da direção da instituição, que tomou a decisão após analisar informações do Conselho Assessor (CMAC) durante a reunião anual, realizada na semana passada.

"Quando chegar o momento da primeira parada no fim do ano, ou saberemos que a partícula existe ou teremos descartado a existência do modelo padrão de Higgs", disse em comunicado Sergio Bertolucci, diretor de investigação do CERN.

"Ou será um grande avanço em nossa exploração da natureza, aproximando-nos da compreensão sobre como as partículas fundamentais obtêm sua massa, ou marcará o início de um novo capítulo na física de partículas", acrescentou.

O "bóson de Higgs", também conhecido como "partícula divina", é considerado a chave para entender a origem da massa e a estrutura da matéria no nível subatômico.

A decisão de elevar a potência a 4 TeV modifica uma resolução tomada há exatamente um ano, na qual se estabeleceu que durante este ano o LHC funcionaria a 3,5 TeV.

De fato, estava previsto que o LHC funcionaria até o fim de 2011, e depois faria uma longa pausa técnica em 2012 para poder colocar a máquina em altas potências em 2013.

No entanto, o excelente funcionamento do acelerador durante 2010 fez os cientistas repensarem o calendário e decidir adiar a pausa um ano para obter mais dados.

"Quando começamos as operações do LHC em 201, escolhemos a menor energia consistente com a física que queríamos. Dois anos de experiência operacional e muitas medições feitas em 2011 nos dão confiança para aumentar, e por tanto para ampliar, a experiência antes da primeira grande parada", afirmou Steve Myers, diretor dos aceleradores del CERN.

A instituição considera que os dados obtidos durante 2010 e 2011 oferecem pistas sobre a nova física, especialmente por estreitar a gama de massas disponíveis para encontrar a partícula de Higgs a um leque de apenas 16 GeV (gigaelectronvolts).

Nesse leque de massas, os detectores Atlas e CMS puderam obter pistas de que a partícula de Higgs poderia existir no leque entre 124-126 GeV.

No entanto, segundo o CERN, para que as pistas se transformem em descobertas, ou para descartar diretamente o modelo de Higgs, é preciso mais tempo coletando dados.

É por isso que o LHC funcionará até novembro a 4 TeV, antes de fazer uma longa pausa de uns 20 meses, nos quais o acelerador se preparará para poder trabalhar a uma energia de 7 TeV no fim de 2014, e na potência máxima em 2015.

Em dezembro passado, os cientistas anunciaram que os dados obtidos até o momento não permitiam concluir se o bóson existe ou não, teoria formulada pelo físico britânico Peter Ware Higgs em 1964, que assumiu que a partícula explicaria o funcionamento no qual é baseada a física atual.

O nível de energia de funcionamento do LHC é o mais intenso já alcançado e permite que os prótons deem 11 mil voltas por segundo no acelerador - um anos de 2 quilômetros de circunferência situado 150 metros sob a fronteira franco-suíça.

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