Acesso universal aos antirretrovirais mudou perfil do soropositivo, diz especialista

Tratamento com medicamentos desde 1996 no País aumenta qualidade de vida de quem tem HIV

Agência Brasil

22 de julho de 2010 | 17h31

BRASÍLIA - O acesso universal aos medicamentos antirretrovirais no País desde 1996 mudou o perfil do soropositivo brasileiro, de acordo com o assessor técnico do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Marcelo Freitas.

Em entrevista à Agência Brasil, o assessor lembrou que, há algumas décadas, a preocupação dos médicos em relação ao tratamento da aids se resumia em ampliar a sobrevida do paciente. Atualmente, a meta precisa ser a qualidade de vida de quem tem a doença.

“É discutir a adesão ao tratamento, a saúde mental, os exercício físicos, a nutrição”, explicou Freitas, ao se referir às consultas. “É um desafio para que o serviço de saúde consiga corresponder a essa expectativa”, completou.

Um estudo envolvendo mais de 2 mil pessoas com HIV no mundo mostrou que 89% dos brasileiros soropositivos ouvidos mantêm uma adesão firme aos antirretrovirais. Entretanto, o técnico do Ministério da Saúde pediu cautela em relação ao índice apresentado pela pesquisa.

Segundo ele, a taxa de adesão ao medicamento com que a pasta trabalha fica em torno de 50% dos soropositivos em tratamento no Brasil. O esforço para aumentar esse número consiste, entre outras coisas, em fazer com que os médicos da rede pública de saúde abordem, nas consultas, temas como a saúde reprodutiva do paciente.

“Esse foco [da qualidade de vida] a gente não pode perder nunca. O médico tem que ter tempo e disponibilidade para abordar questões da vida do paciente que têm relação direta com a saúde. Ouvir, mostrar, informar. É um processo que não é fácil nem rápido. O foco é esse, mas ainda não é a realidade”, afirmou.

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