Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Acetato de vitamina é o novo vilão do cigarro eletrônico

Estudo feito com amostras de pulmões retirados de pacientes que morreram após o uso de cigarros eletrônicos constatou que o acetato de vitamina E é a responsável pelos danos; 40 pessoas já morreram nos Estados Unidos

Denise Grady, The New York Times

14 de novembro de 2019 | 16h42

Uma forma de vitamina E foi identificada como “fortemente responsável” por doenças pulmonares ligadas ao uso de THC (princípio ativo da maconha) em cigarros eletrônicos, de acordo com autoridades de saúde dos Estados Unidos. Quarenta pessoas já morreram e mais de 2 mil foram internadas em consequência de um surto provocado pelo uso desse ingrediente.   

Muitos pacientes foram internados em unidades de terapia intensiva e precisaram de aparelhos e outras providências ainda mais drásticas para poderem respirar. A maioria dos pacientes era homens adultos, mas havia também  adolescentes.

“Pela primeira vez, detectamos a potencial toxina, acetato de vitamina E, em amostras biológicas de pacientes com danos pulmonares ligados ao uso de cigarros eletrônicos”, afirmou Anne Schuchat, vice-diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Um novo estudo, com base em amostras retiradas dos pulmões de 29 pacientes, incluindo dois que morreram, “forneceu evidências de que o acetato de vitamina E é a principal causa de danos pulmonares relacionados a cigarros eletrônicos”, disse Schuchat.

Os pacientes vieram de dez Estados de diversas regiões do país, o que torna a pesquisa abrangente e praticamente descarta a possibilidade de que resulte de um único tipo de cigarro eletrônico.

Schuchat deixa aberta a possibilidade de que outros agentes químicos ou toxinas de cigarros eletrônicos possam também causar sérios problemas respiratórios.

O surto revelou a existência de um vasto mercado clandestino de cigarros eletrônicos e acessórios que empregam misturas de produtos químicos embalados e distribuídos por fabricantes e vendedores desconhecidos.

Centenas de agentes de saúde estaduais e federais foram mobilizados para procurar as causas dos danos nos pulmões dos pacientes. Pesquisadores compararam alguns casos em questão a queimaduras químicas sofridas por soldados atacados com gás mostarda na 1ª Guerra Mundial.

O acetato de vitamina E é uma substância pegajosa, como mel, que gruda no tecido pulmonar, informou o CDC. Os pesquisadores não sabem exatamente como ela afeta os pulmões e pensam em estudar as reações em cobaias para entender melhor essa relação.

O produto é usado comumente como suplemento vitamínico ou em loções para a pele, mas os fabricantes de fluidos clandestinos para cigarros eletrônicos às vezes o usam como espessante ou para diluir THC adicionado aos fluidos.

"O fato de uma substância ser segura para se engolir ou passar na pele não significa que ela seja segura para se inalar. O sistema digestivo tem enzimas que processam o que ingerimos. Os pulmões, não", alerta o CDC.

Amostras pulmonares de 29 pacientes também foram testadas para óleos vegetais, óleos minerais, destilados de petróleo e outras substâncias potencialmente perigosas para a saúde. Nenhuma dessas substâncias foi encontrada. Muitos dos produtos usados pelos fumantes que adoeceram foram comprados de amigos ou vendedores de rua.

Embora a maioria dos casos de doenças causadas por cigarros eletrônicos esteja ligada a o THC, isso não quer dizer que outros produtos usados nas misturas sejam seguros. A nicotina não foi absolvida: alguns pacientes disseram que fumaram apenas nicotina e os agentes de saúde consideraram seus depoimentos confiáveis.     

“A tendência [ao uso de acetato de vitamina E] parece estar diminuindo, mas muitos Estados ainda são duramente afetados e as investigações continuam ativas”, disse Schuchat. O CDC alerta as pessoas a não usarem cigarros eletrônicos ou acessórios a eles relacionados. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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