'Achava que seria mais difícil pegar agora', diz contaminada pela covid

'Achava que seria mais difícil pegar agora', diz contaminada pela covid

Mesmo pessoas que mantiveram cuidados foram infectadas com nova alta de casos; vacinar ainda deve ser a principal precaução

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 05h00

Em pouco mais de dois anos da pandemia de covid-19, ainda há quem nunca tenha se infectado pelo coronavírus. Algumas dessas pessoas permanecem ilesas, mas a nova alta de casosregistrada a partir da metade de maio – tem atingido parte delas. Após um período de queda nos indicadores, ocorrida após o pico acarretado pela variante Ômicron, em janeiro, relatos de diagnósticos positivos agora voltam a proliferar pelas redes sociais. Dor de garganta e tosse têm sido alguns dos principais sintomas notificados.

Como mostrou o Estadão, dados reunidos pelo consórcio de veículos da imprensa apontam que os novos diagnósticos de covid dobraram em um período de duas semanas no País. A média móvel subiu de 14 mil casos diários para 29 mil. O indicador segue distante dos números do fim de janeiro, que superaram 180 mil, mas já estão bem acima do patamar de abril, mês em que o índice caiu para 12 mil. Em alguns Estados, como São Paulo, esse cenário tem levado ao aumento de internações.

Diante da nova alta, pessoas que achavam que passariam a pandemia sem se contaminar com o vírus agora estão sendo surpreendidas com diagnósticos positivos. Uma delas é a publicitária Ana Beatriz Bento, de 23 anos. Moradora do Jardim Guapira, na zona norte da cidade de São Paulo, ela fez o teste após sentir sintomas gripais no último dia 30. O resultado deu positivo. "Achava que depois de ter passado tanto tempo, e de ter recebido três doses da vacina, seria mais difícil pegar", explica. 

"Até porque, mesmo com a liberação de tudo, tenho tentado evitar lugares com muita aglomeração, festas. Eu saio, mas para lugares com poucas pessoas. E mesmo assim peguei", acrescenta Ana. Especialistas reforçam que, além de reduzir as chances de a covid evoluir para quadros graves, a vacina também diminui os riscos de contaminação. Ainda assim, mesmo pessoas vacinadas podem se infectar e transmitir a doença – sobretudo em cenários de alta de casos.

"Os sintomas apareceram bem repentinamente. Eu acordei no meio da noite com uma dor de garganta terrível e durante os três primeiros dias os sintomas foram se agravando, a dor de garganta foi piorando, a tosse piorando", conta a publicitária, que também relata ter sentido dor no corpo e fraqueza. Após o terceiro dia, a situação começou a melhorar e, no oitavo, Ana explica ter se recuperado da doença.

Mestranda de Ciência dos Alimentos, Mariana Medina, 26 anos, também ficou surpresa ao receber o primeiro diagnóstico positivo para covid, no final de maio. "No primeiro momento, foi um choque, mas infelizmente estamos expostos a este tipo de risco no meio de uma pandemia", diz ela, que é moradora do Butantã, zona oeste da capital paulista.

"Achava que seria inevitável, mas sempre tentei tomar o máximo de cuidado possível para evitar me infectar", conta a mestranda. "Sempre uso máscara PFF2 (considerada a mais eficiente), carrego um frasco de álcool 70% na bolsa quando tenho que sair, lavo as mãos sempre que possível e, principalmente antes das refeições e quando chego em casa, evito aglomerações."

Segundo ela, o diagnóstico positivo veio pouco depois de o namorado ter sido infectado. Ana teve sintomas leves, como dor de garganta, dor no corpo e coriza, além de febre baixa em um dos dias. "Foram por volta de quatro dias de sintomas."

A nova alta de casos também contaminou pela primeira vez o analista administrativo Pedro Nelson, de 31 anos, que recebeu o teste positivo no último domingo, 5, mesmo sem apresentar sintomas. Morador de São Bernardo do Campo, ele relata ter feito o teste depois que a mulher, que trabalha em uma farmácia, se contaminou também pela primeira vez. 

No caso da engenheira eletricista Laíza Coelho, de 34 anos, o teste positivo saiu no último sábado, 4. "Comecei a sentir um incômodo na garganta e cansaço na sexta-feira. No outro dia já apresentava febre, coriza e dores no corpo. Na própria sexta fiz um teste rápido de farmácia e deu negativo. Como surgiram mais sintomas no sábado pela manhã mesmo fiz outro teste rápido que deu positivo", conta. Moradora do Rio de Janeiro, ela também nunca tinha se infectado.

Viagem

Laíza relata ter tomado cuidados ao longo da pandemia, mas, com a melhora do quadro, passou a encontrar amigos com mais frequência. Como possível causa da primeira contaminação, ela aponta uma viagem de ônibus a São Paulo, no último dia 31. "Normalmente uso máscara N95 em lugares fechados, mas saí atrasada de casa e esqueci de colocar essa máscara na bolsa. Acabei viajando com uma máscara cirúrgica", conta a engenheira. Médicos apontam que, em geral, locais com pouca ventilação são mais propícios para contaminação e demandam maior cuidado que espaços abertos.

O primeiro teste positivo do arquiteto Wilson Iwazawa, de 41 anos, também veio após uma viagem, mas de avião. Após ir ao Nepal a passeio, ele relata ter sentido sintomas poucos dias após desembarcar no Aeroporto de Guarulhos, na última semana. "Cheguei de viagem no domingo à noite. Na terça-feira, estava me sentindo meio cansado, estranho. Medi a temperatura e estava com uma leve febre. Na quarta-feira, iria receber amigos em casa, então, para segurança deles, comprei um auto teste e fiz. Positivou", conta ele, que é morador de Belo Horizonte. Segundo Wilson, a percepção é que muitos de seus conhecidos positivaram recentemente, mesmo adotando medidas de prevenção.

O gerente administrativo Rodrigo Rangel, de 32 anos, recebeu o teste positivo no final de maio. "Comecei a ter sintomas de uma infecção de garganta e muito cansaço. No dia seguinte, um amigo com quem tive contato no fim de semana disse ter testado positivo. Comprei um teste de farmácia e testei positivo também", conta ele, que é morador de Brasília. 

Rodrigo relata ter sido cuidadoso ao longo da pandemia, mas reconhece que mais recentemente a melhora da pandemia acarretou em mudança de comportamento. "Depois da liberação das festas e das máscaras eu realmente relaxei e não estava me cuidando mais da mesma forma", explica. "Antes de me contaminar eu estava voltando a usar máscara na academia. Mas fui em algumas festas."

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