Aciclovir não reduz risco de contrair HIV, diz estudo

No entanto, pesquisa concluiu que remédio diminui incidência de herpes em até 63%

Efe

19 de junho de 2008 | 20h26

O medicamento antiviral Aciclovir não diminui as possibilidades de contrair o vírus HIV-1 em mulheres e homens que têm relações sexuais com pessoas do sexo masculino infectadas com herpes genital. Esta é a conclusão de um estudo efetuado por uma equipe da Universidade de Washington (Seattle, Estados Unidos) dirigido por Connie Celum e publicado na revista médica The Lancet. Os cientistas realizaram um teste cego com mulheres e homens soronegativos, mas infectados com o vírus do herpes simples tipo 2, e que haviam mantido relações sexuais com homens em algumas regiões do Peru e dos EUA. Dos participantes, 1.637 receberam 400 miligramas de Aciclovir, enquanto 1.640 receberam um placebo por um período que variou entre 12 a 18 meses, e todos foram observados e convenientemente assessorados sobre redução de riscos durante esse tempo. A incidência de HIV-1 foi de 3,9 para cada 100 pessoas durante um ano de observação no grupo que recebeu o Aciclovir, e de 3,3 por 100, em quem recebeu um placebo. Ou seja, quase não houve variações entre ambos os grupos. No entanto, a incidência das úlceras genitais foi reduzida em 47% no primeiro grupo, e a das causadas diretamente pelo vírus do herpes simples tipo 2 caiu em 63%. Os autores chegaram à conclusão de que "o tratamento com dose padrão de Aciclovir não é eficaz na hora de reduzir a aquisição do vírus de HIV-1 nas mulheres e nos homens afetados pelo vírus do herpes simples tipo 2 que têm relações sexuais com homens". Segundo eles, ainda é preciso estudos adicionais para determinar se essa ineficácia se deve à absorção da droga e ao metabolismo, à resposta clínica das úlceras genitais ao Aciclovir ou à resposta genital imunológica depois da reativação do vírus do herpes.

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