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Acordo de redução de sal não tem a adesão total de empresas

Programa do Ministério da Saúde retirou 14 mil toneladas de sódio de produtos; mineral é considerado fator de risco para hipertensão

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2016 | 13h49

BRASÍLIA - Festejado pelo Ministério da Saúde e criticado por nutricionistas por seu alcance limitado, o acordo de redução de sal firmado com a indústria alimentícia fechou a terceira etapa sem a adesão total das empresas participantes.

Levantamento feito pelo Ministério da Saúde mostra que das 22 empresas produtoras de margarinas, cereais matinais, caldos e temperos prontos, 94,5% cumpriram o acordo de redução do mineral.

Caldos líquidos e em gel, que deveriam ter apresentado uma redução da substância, apresentaram no período analisado um aumento na concentração de sódio de 8,84%. De acordo com a pasta, a irregularidade já foi reparada. Como se trata de um acordo voluntário, empresas não tiveram nenhuma punição.

Feito em 2011, o acordo entre o governo e a indústria de alimentos prevê a diminuição do sódio de 16 classes de alimentos. A mudança na formulação é feita em etapas. Na primeira fase, a redução foi feita em massas instantâneas, pães de forma e bisnaguinhas.

Numa segunda etapa, iniciada em outubro de 2011, foi a vez de salgadinhos de milho, batatas fritas, bolos, misturas para bolo, maionese, bolachas e biscoitos. Na última fase, iniciada em novembro de 2013, a redução tem como alvo empanados, hambúrguer, linguiças cozida, resfriada e frescal, mortadela, presuntaria, muçarela, requeijão cremoso, salsicha e sopas individuais.

Essa última fase é considerada a de maior impacto. Sozinha, ela representa quase 50% da meta do acordo, que prevê a redução de 28.562 toneladas de sal até 2020. Até agora, de acordo com estimativas do governo, foram retiradas 14 mil toneladas de sódio.

Risco. O sal é considerado um fator de risco para hipertensão. Além de dar sabor, ele ajuda a conservar os alimentos, daí a sua adição até mesmo em alimentos adocicados, como cereais matinais e bolos.

Estudos indicam que o brasileiro usa sal em excesso e não se dá conta de ter esse comportamento de risco. A média de consumo diário do ingrediente no Brasil é de 12 gramas, mais do que o dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde: 5 gramas diárias.

As consequências desse hábito estão estampadas em outro resultado do mesmo estudo, feito por meio de entrevistas telefônicas com a população adulta das capitais do País. O levantamento indica que uma em cada quatro pessoas têm hipertensão, uma doença que, por sua vez, está associada a quase metade dos infartos. O porcentual, considerado alto, mantém-se estável. Em 2006, 22,5% da população dizia ser hipertensa.

O exagero no uso do sal está associado a três fatores: o consumo de alimentos industrializados (que usam o ingrediente tanto para realçar o sabor quanto para conservar o alimento), o sódio usado nos alimentos preparados em refeições de restaurante e em casa. “Brasileiros têm de reduzir o consumo de sal também no preparo dos alimentos, em casa”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Além da divulgação da estimativa de retirada de sal resultante do terceira etapa do acordo, o Ministério da Saúde anunciou a intenção de realizar uma iniciativa semelhante com o açúcar. Essa intenção, no entanto, já havia sido anunciada em 2014. Desde lá, nenhum avanço foi anunciado.

De acordo com Barros, não há ainda um cronograma para redução de teores de açúcar, nem uma previsão sobre quais alimentos poderiam ser alvo dessa iniciativa.

Em nota, a nutricionista do Instituto de Defesa do Consumidor, Ana Paula Bortoletto, afirmou que as medidas propostas no acordo são tímidas. Como exemplo, ela citou a meta estipulada para caldos em pó. Os valores propostos já haviam sido atingidos antes mesmo do fim do prazo do acordo.

A entidade também criticou a forma como o monitoramento do acordo foi feito. “Nos preocupa e muito a manifestação do Ministro da Saúde em dar continuidade nos acordos para sódio e o início da discussão sobre a redução do açúcar nos mesmos moldes. Se a discussão ficar restrita apenas entre Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), dificilmente os resultados obtidos contribuirão de fato para a prevenção e controle das doenças crônicas no país”, disse a nutricionista, por meio da nota.

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