Acordo prevê redução de 68% do sódio em laticínios, embutidos e refeições prontas

Quarta fase do pacto firmado em 2001 entre governo e indústria de alimentos inclui agora empanados, hambúrgueres, três tipos de linguiça, presuntos, requeijão e salsichas

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

05 Novembro 2013 | 13h07

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos assinaram nesta terça-feira, 5, o quarto acordo para a redução de sódio nos alimentos industrializados. Nesta etapa, está prevista a diminuição de 68% do teor do ingrediente nos laticínios, embutidos e refeições prontas. A meta deverá ser atingida em quatro anos. Na nova lista estão, por exemplo, empanados, hambúrgueres, três tipos de linguiça, presuntos, requeijão e salsichas.

O acordo foi firmado em 2011 e previa a redução gradativa dos teores do mineral até 2020 de produtos industrializados. Em cada fase, uma classe de produtos alimentícios era incorporada. Com a assinatura desta terça, a última prevista, sobe para 16 as categorias atingidas pelo pacto. Entre elas estão bisnagas, massas, bolos, biscoitos e caldos. O cálculo é que 28 mil toneladas de sódio sejam retiradas do mercado até 2020.

A adesão ao acordo é voluntária. Para verificar se o compromisso está sendo seguido, o governo dispõe de três ferramentas: a análise de rótulos, a informação repassada pela indústria e a análise laboratorial. Esta última começa a ser feita nos próximos meses, com a primeira classe de alimentos que foi alvo do acordo, em 2011: massas, pães e bisnaguinhas.

O pacto de hoje prevê, por exemplo, que a muçarela tenha uma redução de 68% dos teores de sal até 2016, a maior prevista pela lista. Nessa data, empanados deverão vir com 54,8% a menos do ingrediente e a linguiça frescal, 42%. A mortadela mantida sob temperatura ambiente é o item que terá menor redução no período. Ela deve chegar em 2016 com 16% dos teores de sal atualmente apresentados.

A partir de agora, novos termos deverão começar a ser discutidos, entre eles, a redução de açúcar. De acordo com o Ministério da Saúde, o termo deverá ser assinado em 2014, já com o anúncio das primeiras categorias alvo da redução. Depois será a vez da redução dos teores de gordura.

Hipertensão. O brasileiro é um ávido consumidor de sal. De acordo com a diretora de análise de situação em Saúde, Deborah Malta, cada pessoa usa 12 gramas diárias do ingrediente, mais do que o dobro do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS): 5 gramas. Ela garante que, caso o consumo no País fosse ajustado às metas da OMS, haveria uma redução de 15% nas mortes por Acidente Vascular Cerebral e uma queda de 10% nas mortes por enfarte. Seria possível ainda reduzir em 1,5 milhão o número de pessoas com indicação para uso de remédios para controle da hipertensão.

O Ministério da Saúde divulgou também os índices de hipertensão no País, identificados pela pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, Vigitel. O levantamento mostra que quase um quarto da população tem níveis altos de pressão: 24,3%. Um número superior ao que havia sido registrado em 2006, de 22,5%. Entre maiores de 65 anos, os indicadores são ainda mais expressivos: 59,2% da população nesta faixa etária têm a alteração.

O estudo mostra que a doença é mais comum entre as mulheres. Entre a população feminina, 26,9% são hipertensas, enquanto entre os homens o índice é de 21,3%. A escolaridade também é um fator importante: quanto mais anos de estudo, menor o porcentual. Rio de Janeiro é a capital com maior índice de hipertensos: 29,7%. Recife vem em segundo lugar, com 26,9%. São Paulo está em 15º lugar: 23,5% dos entrevistados dizem ter o problema.

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