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Acreditação de Hospitais tem longo caminho no Brasil

Menos de 5% dos hospitais têm ‘selo’ de qualidade, indica pesquisa

Caderno Saúde, Media Lab Estadão
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05 de agosto de 2020 | 11h22

Se você pudesse escolher entre ser atendido em um hospital que passou por uma vistoria externa especializada, uma melhoria nos procedimentos e tem acompanhamento constante de qualidade e receber atendimento em outro que não conta com isso tudo, qual escolheria?

É fácil perceber a importância da acreditação – processo que dá aos hospitais um “selo” de garantia de qualidade após longa avaliação e revisão de procedimentos –, mas aqui no Brasil os pacientes ainda não têm o hábito de se informar sobre isso antes de procurar assistência, afirma Rubens Covello, CEO do IQG, uma das empresas que fornecem acreditação no País. Além disso, ele relata que o pequeno número de hospitais acreditados (calcula-se que sejam menos de 5%) é consequência de diversos fatores.

“Dentro das universidades, fala-se muito pouco sobre gestão para os profissionais de saúde, e muito pouco sobre a segurança do paciente. Os profissionais são formados para fazer assistência”, avalia. “A segunda dificuldade é que as estruturas físicas de muitos hospitais brasileiros não nos ajudam a fazer uma avaliação que nos deixe seguros. E, por fim, há também a falta de entendimento do público do que é exatamente um hospital acreditado.”

O processo consiste na avaliação, por uma equipe especializada, de diversos aspectos do hospital: da estrutura física e dos materiais ao modelo de gestão de equipe e jornada do paciente. Covello relata que, no modelo usado pela IQG, os avaliadores costumam fazer visitas de três ou quatro dias, dependendo do tamanho do hospital. O primeiro passo consiste em um diagnóstico organizacional, para entender onde estão os possíveis riscos e como gerenciá-los. A partir daí, a empresa sugere uma série de medidas que podem ser tomadas para melhorar os processos, sempre pensando no paciente, garante Covello.

Depois de feitas as mudanças necessárias, a equipe volta para fazer a visita de acreditação. Se tudo foi feito corretamente e segundo as normas, o hospital recebe o certificado, que costuma ter validade de três anos. “O mais interessante é que, quando um hospital é acreditado, ele entra no programa de manutenção, com visitas a cada pelo menos seis meses. Por isso falamos em uma melhoria contínua”, diz o CEO da IQG.

O modelo de acreditação usado pela empresa vem do Canadá, mas também há outras opções aqui no Brasil. Além do canadense, os dois mais comuns são o americano Joint Commission International (JCI) e o da ONA (Organização Nacional de Acreditação).

O Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, é uma das instituições acreditadas pela ONA e está em processo para conquistar novos certificados. “Temos como propósito sempre proporcionar melhor atendimento e experiência a todos que passam pela instituição, e as certificações corroboram esse valor. Isso porque são baseadas em processos que envolvem avaliações e melhorias, o que inevitavelmente motiva um aperfeiçoamento dos serviços”, diz Dario Antonio Ferreira Neto, diretor do hospital.

Entre as melhorias após o processo, Neto cita essa evolução contínua e outros pontos. “Como exemplo, podemos citar a melhoria de qualidade, segurança na assistência, resultando em um menor tempo de internação, e até mesmo um menor custo de gestão, pela eficiência de todo o trabalho.”

Instituições privadas são maioria, mas também há diversas públicas acreditadas, diz Covello. Pode ser um desafio maior no SUS pelo custo do processo – que envolve desde a contratação da empresa especializada até o investimento em infraestrutura, material e treinamento após a avaliação.

“A acreditação dá certo porque não é obrigatória, é contínua, e feita por uma terceira parte isenta. Nós somos apenas uma ferramenta. Trabalhamos a cultura do hospital, trabalhamos o ser, o fazer, usando os princípios deles para criar uma cadeia de valor com o objetivo de salvar vidas e deixar o sistema sustentável”, diz o executivo da IQG.

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