Adolescente arrecada dinheiro na internet para conseguir fazer cirurgia

Rapaz de 22 anos perdeu metade do rosto por causa de um tipo raro de câncer

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo,

24 de abril de 2012 | 23h09

A mobilização de milhares de internautas e a divulgação em massa de um vídeo caseiro postado no YouTube vai mudar a vida de um jovem de 22 anos, chamado Oziel, que teve um tipo de câncer raro na face e perdeu metade do rosto.

Graças a uma campanha na internet, em pouco mais de 38 horas Oziel conseguiu arrecadar os R$ 106.670,98 necessários para a realização da cirurgia que vai reconstruir o seu rosto.

O sucesso da campanha se deve ao envolvimento de uma rede de vlogueiros - pessoas que mantêm blogs na internet em formato de vídeos. Tudo começou no dia 30 de março, quando o próprio Oziel postou um vídeo caseiro contando a sua história. Lá ele decidiu mostrar a cara, sem máscara, e relatou detalhes da doença que lhe fez perder parte do rosto. Ele pedia ajuda para conseguir dinheiro para a cirurgia.

Nos primeiros dias, o vídeo teve poucos acessos. Até que foi visto pelo vlogueiro Felipe Buarque, que, voluntariamente, decidiu abraçar a história do Oziel.

"A primeira ideia foi criar um site reunindo as informações sobre o caso. As pessoas precisavam saber que o Oziel realmente existe, que aquele vídeo não era uma montagem. E quanto mais eu investigava, mais eu me envolvia com o caso", conta Buarque.

A segunda ideia foi disparar um e-mail para toda a comunidade de vlogueiros e pedir que as pessoas fizessem vídeos contando a história do Oziel. Assim, em poucos dias, pelo menos outros 40 vídeos falando sobre o jovem foram postados na internet.

O grupo também marcou um tuitaço (manifestação no Twitter) para o dia 12 de abril. Todos usaram a tag #ForçaOziel e o movimento chegou a ficar em primeiro lugar nos trend topics do microblog. Mas, apesar dos esforços, ainda era pouco.

Buarque então decidiu entrar em contato com o vlogueiro Felipe Neto - que possui um dos perfis mais visitados do microblog, com mais de 1,6 milhão de seguidores. A ideia era fazer Neto também se envolver e, assim, levar o vídeo para mais pessoas.

Deu certo. Neto topou se envolver, mas tomou alguns cuidados, como pedir que o dinheiro arrecadado fosse administrado por uma entidade isenta (no caso, o Rotary Club). Também pediu que as doações fossem controladas por um site que bloquearia novas doações assim que o valor pedido fosse atingido.

Neto fez um novo vídeo, com a participação do Oziel, e postou o material na madrugada do dia 20. Ao meio-dia do dia 21 eles já tinham arrecadado o dinheiro necessário. "Não agi sozinho. Há várias outras pessoas engajadas no projeto. Mas, confesso que não esperava um retorno tão rápido", diz Neto, que tem como público-alvo jovens de 13 a 24 anos.

História. Oziel mora em Lucas do Rio Verde, no interior de Mato Grosso. Aos 9 anos, procurou um dentista para tratar uma carne esponjosa no dente. Foi encaminhou para um médico em Cuiabá que não soube diagnosticá-lo e receitou bochecho três vezes ao dia e antibiótico.

O caso piorou e três anos depois Oziel veio a São Paulo, onde foi diagnosticado o câncer raro. Fez várias cirurgias para retirar o tumor e tentou colocar enxertos para reconstruir o rosto, mas nada deu certo. Parou de estudar, pois não conseguia frequentar a escola e por onde passava era alvo de olhares e comentários.

Há dez anos o jovem usa uma máscara cirúrgica para cobrir o defeito no rosto. Mora com a mãe e ganha a vida vendendo espetinhos. "Antes eu me incomodava mais, hoje estou acostumado. Mas não vejo a hora de colocar a prótese e poder sair de casa sem máscara", disse. "Quero voltar a estudar e fazer faculdade."

A cirurgia será realizada no Instituto Branemark, em Bauru, entidade filantrópica especializada em reconstrução facial. Segundo a cirurgiã Raquel D’Aquino Caminha, o caso do jovem é bastante complexo e, por isso, não é possível afirmar quantas cirurgias serão necessárias. "Nosso objetivo é colocar as próteses e devolver a fisionomia do rosto de Oziel."

Tudo o que sabemos sobre:
cirurgiacâncerinternetSaúdeVida

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.