Adolescentes brasileiros estão acima dos padrões internacionais de peso saudável

Pesquisa da Unifesp com 8.020 alunos entre 10 e 15 anos revela que 25% têm sobrepeso ou obesidade

estadão.com.br

02 de agosto de 2010 | 16h21

SÃO PAULO- Uma pesquisa realizada com 8.020 adolescentes entre 10 e 15 anos, estudantes de 43 escolas públicas e privadas de cinco regiões da cidade de São Paulo, identificou que eles estão com o Índice de Massa Corporal (IMC) acima dos parâmetros internacionais, de acordo com a idade e sexo, e que os meninos estão mais obesos que as meninas.

O estudo apontou que, no total, 25,56% dos adolescentes estão com sobrepeso ou obesidade, sendo que a prevalência desse quadro em escolas públicas é de 23,13%, enquanto nas escolas particulares chega a 33,2%.

Segundo a pesquisadora Maria Aparecida Zanetti Passos, do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a obesidade atinge uma população cada vez mais jovem, e é grande o número de adolescentes brasileiros com IMC acima de 25 (entre 25 e 30, é considerado sobrepeso e, a partir de 30, já se atingiu um nível de obesidade).

No total, 9,89% dos alunos entrevistados são obesos; 15,67% apresentam sobrepeso; e 2,77% estão abaixo dos parâmetros ideais. Levando em conta que tanto sobrepeso e obesidade quanto um nível abaixo do saudável são desvios nutricionais, foi possível concluir que 28,33% dos adolescentes apresentam algum tipo de problema.

Entre os meninos, 27,80% são obesos ou estão com sobrepeso. No universo das escolas particulares, 21% deles apresentam sobrepeso e 18% já estão obesos. Esses índices caem um pouco quando é analisado o grupo das escolas públicas, no qual 14% dos meninos estão com sobrepeso e 10% com obesidade.

"A vida moderna e o sedentarismo criaram hábitos alimentares que causam esses resultados. Hoje o estudante vai para a escola com dinheiro, e as lanchonetes oferecem uma quantidade enorme de frituras, refrigerantes e outros alimentos calóricos. O adolescente está sempre com um refrigerante ou um salgadinho na mão", avalia Maria Aparecida.

Ela completa: "Mesmo em casa, a falta de tempo e a praticidade dos congelados e semiprontos, além de consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares e gorduras, favorecem que a alimentação das famílias seja desequilibrada".

A obesidade atinge também 8,12% das meninas avaliadas, que somadas às 15,57% com sobrepeso representam 23,69% da população feminina da pesquisa. Quando separadas por grupos, nas escolas particulares 20% delas têm sobrepeso e 8% são obesas. Nas instituições públicas de ensino, 15% estão com sobrepeso e 8% com obesidade.

Os dados foram coletados entre 2003 e 2004, comparados com padrões internacionais e publicados em 2010. O grupo foi avaliado de acordo com seu estado nutricional, levantamento de dados antropométricos - como relação de medidas entre cintura e quadril e circunferência dos braços -, peso e questionário sobre hábitos alimentares e sedentarismo.

"O resultado direto, mesmo que não tenhamos exames clínicos, indica que já temos uma parcela da população apresentando distúrbios", avalia Maria Aparecida.

A próxima etapa do trabalho será iniciada neste mês, quando o subgrupo dos mesmos adolescentes que apresentaram sobrepeso e obesidade voltarão a ser analisados. O acompanhamento incluirá um estudo longitudinal dessa população e contará com levantamento de histórico familiar de saúde, do período de amamentação e alimentação na primeira infância, além da aplicação de exames bioquímicos (como colesterol, triglicérides, insulina, glicemia e pressão arterial). O objetivo é apontar a evolução dos quadros desses adolescentes.

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