Adolescentes usam mais preservativos que adultos acima de 40 anos nos EUA

Estudo feito com 5.865 pessoas entre 14 e 94 anos poderá ajudar política de saúde pública

Reuters

04 Outubro 2010 | 19h22

CHICAGO - Adolescentes americanos não são tão irresponsáveis como se pensa quando o assunto é sexo. Segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 4, no Journal of Sexual Medicine, os jovens são muito mais propensos a usar preservativos do que adultos com mais de 40 anos.

Os resultados do levantamento feito pela internet com 5.865 pessoas entre 14 e 94 anos poderá ajudar a orientar a política de saúde pública nos Estados Unidos. Segundo o Dr. Kevin Fenton, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o documento ajudará a Casa Branca a lançar uma nova política para aids.

Conduzido por especialistas em sexo da Universidade de Indiana e financiado pelo fabricante de camisinhas Trojan Church & Dwight Co., o estudo é a análise mais abrangente em comportamento sexual feita no país nos últimos 20 anos.

Segundo o levantamento, uma em cada quatro relações de sexo vaginal envolve o uso de preservativo. Entre os solteiros, esse número é de uma em três. O uso do preservativo é maior entre os negros e hispânicos que entre os brancos, e é menor entre pessoas com mais de 40 anos.

Apenas 14% dos adolescentes de 14 anos relataram algum tipo de interação sexual nos três meses anteriores, mas quase 40% dos rapazes de 17 anos tiveram essa experiência, revela o pesquisador Dr. Dennis Fortenberry. Segundo ele, os resultados foram semelhantes entre o sexo feminino.

Fortenberry disse que muitos adolescentes atingem os 18 anos sem experiência sexual e, para aqueles que têm relações, o uso de preservativos é rotineiro. "Nesse trabalho, cerca de 70% a 80% dos adolescentes afirmaram ter usado preservativo na última relação vaginal", conta Fortenberry. "Isso indica que nós tivemos um sucesso real na saúde pública, que precisa ser reconhecido", completa.

A equipe também constatou que, nos últimos 20 anos, a maioria dos adultos mudou a noção tradicional de sexo como "coito vaginal". Participantes da pesquisa relataram envolvimento em 41 diferentes práticas sexuais, incluindo sexo oral e anal.

"Enquanto o coito vaginal ainda é o comportamento sexual mais comum entre os adultos, muitos eventos sexuais não envolvem penetração", destaca a pesquisadora da Universidade de Indiana Debra Herbenick, especialista em saúde sexual das mulheres.

Outras descobertas

* Cerca de 85% dos homens revelaram que sua parceira chegou ao orgasmo durante o sexo, mas apenas 64% das mulheres admitiram isso;

* Cerca de 7% das mulheres e 8% dos homens entrevistados disseram que são gays, lésbicas ou bissexuais, mas, segundo os pesquisadores, o número de pessoas que tiveram relações sexuais com parceiros do mesmo sexo é maior;

* Um terço das mulheres afirmou que sentiu dor durante o encontro sexual mais recente, em comparação com 5% dos homens. Para Herbenick, mais pesquisas são necessárias para entender o porquê;

* Os homens são mais propensos a experimentar o orgasmo quando o sexo inclui coito vaginal, enquanto as mulheres são mais propensas ao clímax quando a relação envolve uma variedade de atos sexuais (vaginal e oral, por exemplo);

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