Ahmad Yusni/EPA/EFE
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Aeroportos brasileiros usam alerta sonoro sobre coronavírus, mas não têm scanner térmico

Instrumento usa sensores eletrônicos para detectar febre em passageiros - Anvisa diz que têm pouca efetividade; veja as medidas que já são adotadas nos principais aeroportos do País

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2020 | 10h30

SOROCABA -  Passageiros que desembarcam nos principais aeroportos do Brasil já ouvem mensagens de alerta sobre o coronavírus, que já deixou 170 mortos na China e mais de 7,7 mil infectados pelo mundo. As mensagens de um minuto de duração - em português, inglês e mandarim - informam sobre os sintomas da doença e as medidas para evitar a transmissão. Mas, diferentemente de terminais da Europa e dos Estados, não serão usados scanners térmicos para detectar passageiros com febre. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), esses aparelhos têm pouca efetividade para identificar casos suspeitos.

Nesta semana, os aeroportos de Roma e Milão, na Itália, passaram a usar aparelhos portáteis para medir a temperatura corporal dos passageiros que lá desembarcam. Nos Estados Unidos, onde essa tecnologia já é mais comum, equipamentos do tipo têm sido usados em algumas cidades desde a semana passada.

Ouça a mensagem, em português, de alerta contra o coronavírus:

O scanner é um instrumento portátil com uma tela que, com o auxílio de sensores eletrônicos, muda de cor de azul para vermelho em caso de febre. A cor muda quando a temperatura do corpo excede 37,5° C. Nesse caso, o alerta é acionado, e o passageiro é confiado ao sistema de saúde para uma possível quarentena. Às vezes, é preciso que cada passageiro fique na frente do scanner por alguns segundos para verificar a temperatura, mas as máquinas mais sofisticadas conseguem acionar seus sensores mesmo na multidão, para acelerar também os procedimentos de controle.  

Em nota, a Anvisa informou que o uso de scanners não é obrigatório nem é indicado como ação preventiva, já que sua efetividade é baixa na detecção dos casos. 

"Isso ocorre porque os casos em que a pessoa não está manifestando os sintomas não são captados pelo scanner."

Segundo a agência, o foco da ação nos aeroportos é garantir a adoção de medidas preventivas para a comunidade aeroportuária, fazer com que os procedimentos de desinfecção e limpeza das aeronaves sejam realizados corretamente e encaminhar os casos de pessoas que estejam manifestando sintomas.

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Recomendação é notificar caso suspeito imediatamente

A orientação passada pela Anvisa aos aeroportos é para que os órgãos sanitários sejam notificados imediatamente em caso de suspeita - pessoas que estão em vias de desembarque e apresentam sintomas como tosse, febre e dificuldade para respirar. No caso dos passageiros a bordo, os tripulantes foram orientados a informar o comandante do voo se houver suspeita. Este, por sua vez, fará contato com a torre de controle do aeroporto, que acionará a Anvisa.

O passageiro com sintomas será abordado antes do desembarque para a checar a situação. A Anvisa aciona o serviço médico do aeroporto e a vigilância sanitária do município e a equipe vai a bordo para avaliar o paciente. Se o médico descartar o caso, o desembarque dos passageiros é liberado. Caso a suspeita seja mantida, o passageiro doente é removido para um hospital de referência. Os demais passageiros são entrevistados pela vigilância epidemiológica para que possam ser monitorados. A aeronave passa por desinfecção, inclusive dos efluentes.

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Veja as medidas adotadas nos aeroportos brasileiros para evitar o coronavírus

  • Guarulhos

No Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, uma reunião entre a Anvisa, a concessionária, companhias aéreas, empresas de limpeza e a Polícia Federal definiu um plano de resposta a possíveis suspeitas.

Conforme a concessionária, foram reforçados os protocolos e também houve reforço nos estoques de equipamentos de proteção usados pelas equipes operacionais responsáveis pela supervisão dos terminais.

  • Galeão

No Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio, as ações preventivas foram reforçadas na terça-feira, 28, depois da confirmação de casos suspeitos no Brasil. O Galeão é o segundo aeroporto do País que mais recebe voos da China, atrás só de Guarulhos. Entre novembro e dezembro, 1,5 mil chineses desembarcaram no Rio.

Os aeroportos devem receber uma cartilha com orientações a serem entregues principalmente a passageiros provenientes da China. O material ainda está sendo preparado pelo Ministério da Saúde. O governo federal informou que não vai restringir a chegada de chineses ao Brasil.

  • Viracopos

O aeroporto de Viracopos, em Campinas, informou ter adotado desde o fim de semana as medidas recomendadas pela Anvisa, incluindo os avisos sonoros alertando os passageiros sobre os sintomas da doença e riscos de transmissão. Os avisos são emitidos de hora em hora no sistema de som do terminal de passageiros.

A concessionária informou que a versão das mensagens enviadas pela Anvisa, por causa do perfil do aeroporto, são apenas em português.

  • Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, onde foi registrado o primeiro caso suspeito de coronavírus no Brasil, houve reforço nos cuidados. Os sinais sonoros são emitidos desde sexta-feira, 24, e foram intensificados os procedimentos de limpeza e desinfecção das instalações. Os funcionários tiveram reforço nos estoques de equipamentos de proteção individual.

  • Salvador

No aeroporto de Salvador, a concessionária iniciou a instalação de recipientes com álcool em gel em diversos pontos, como canais de inspeção, áreas de imigração no desembarque internacional, praça de alimentação e setor administrativo, além das saídas de sanitários do Pier Sul, onde ocorrem os voos internacionais.

Também reforçou informações de prevenção e controle aos funcionários do aeroporto, especialmente aqueles que lidam diretamente com os passageiros. Os avisos sonoros são veiculados desde segunda-feira, 27.

  • Porto Alegre

A concessionária do Aeroporto Internacional de Porto Alegre informou que as diretrizes da Anvisa em relação ao coronavírus vêm sendo adotadas desde a sexta-feira, 24, e que os avisos sonoros são replicados de hora em hora no terminal de passageiros

 As medidas foram reforçadas nessa terça-feira, 28, após a confirmação de um caso suspeito no Estado, que foi posteriormente descartado.

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