África do Sul identifica nova variante do coronavírus com alto número de mutações

Nova cepa é responsável por 22 casos já rastreados até agora; cientistas temem escape da proteção da vacina

Isabela Fleischmann - especial para o Estadão

CIDADE DO CABO - O Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul (NICD, na sigla em inglês), comunicou, nesta quinta-feira (25), a descoberta de uma nova variante do coronavírus. Essa cepa, segundo os cientistas, tem uma "constelação incomum" de mutações e há preocupação sobre o risco de escape da proteção da vacina. Ainda não há, porém, comprovação científica sobre essa possibilidade. 

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Chamada de B.1.1.529, a nova variante é responsável por 22 casos de covid-19 no país até o momento. Adrian Puren, diretor executivo da NICD, afirmou, em comunicado à imprensa, que embora os dados até o momento sejam limitados, os especialistas do Instituto estão trabalhando para estabelecer mecanismos de vigilância para entender a nova variante e suas implicações. “Os desenvolvimentos estão acontecendo de forma rápida e o público tem nossa garantia de que manteremos todos avisados”.

Moradores de rua passam por exames antes de serem enviados para abrigos durante confinamento na África do Sul em 2020. País identificou nova variante com alto número de mutações Foto: REUTERS/Rogan Ward

Os casos detectados e a porcentagem de testes positivados estão aumentando rapidamente nas províncias de Gauteng, a mais populosa do país, North West e Limpopo. Michelle Groome, chefe da divisão de vigilância e resposta em saúde pública do NICD, disse que as autoridades de saúde provinciais continuam em alerta máximo e estão priorizando o sequenciamento de amostras positivas para covid-19. Autoridades, porém, afirmaram que ainda é cedo para dizer se serão impostas novas restrições. 

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O pesquisador brasileiro Tulio de Oliveira, diretor do Centro para Resposta à Epidemias e Inovação da África do Sul (CERI), disse, que a variante é de grande preocupação e que o mundo deveria fornecer apoio à África do Sul e à África e não discriminar ou isolar o continente.  "Ao protegê-lo e apoiá-lo, protegeremos o mundo. Faço um apelo para bilionários e instituições financeiras. Temos sido muito transparentes com as informações científicas. Identificamos, tornamos os dados públicos e alertamos, pois as infecções estão aumentando. Fizemos isso para proteger nosso país e o mundo, apesar de sofrermos potencialmente uma discriminação massiva."

Oliveira disse ainda que a nova variante é preocupante no nível mutacional. "A África do Sul e a África precisarão de apoio (financeiro, de saúde pública, científico) para controlá-la para que não se espalhe pelo mundo. Nossa população pobre e carente não pode ficar presa sem apoio financeiro."

Segundo o pesquisador, como essa variante pode ser detectada por um PCR normal,  antes do genoma completo de sequenciamento, o que torna mais fácil para rastrear e entender a transmissibilidade da nova cepa. “Estimamos que 90% dos casos em Gauteng, pelo menos 1000 por dia, são desta variante”, disse.

Oliveira, que faz parte da força-tarefa para sequenciamento do vírus, afirmou ao Estadão que, embora poucos casos tenham sido identificados, provavelmente há "milhares". O pesquisador disse que, apenas na quarta-feira (24), o CERI recebeu mais de mil amostras para a análise e que a equipe está “trabalhando contra o relógio” para entender os efeitos de transmissibilidade, vacinas, reinfecção, gravidade da doença e diagnósticos.

Segundo a Rede para Vigilância Genômica da África do Sul, a variante já foi identificada em amostras coletadas de 12 a 20 de novembro em Gauteng, Botswana e em Hong Kong, de um viajante sul-africano.  “Os primeiros sinais de laboratórios de diagnóstico mostram que a B.1.1.529 aumentou rapidamente em Gauteng e pode já estar presente na maioria das províncias. Podemos fazer algumas previsões sobre o impacto das mutações nesta variante, mas ainda é incerto, e as vacinas continuam a ser a ferramenta crítica para nos proteger”, disse a instituição.  Nesta sexta-feira, o governo sul-africano fará uma sessão de urgência com a OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre a evolução do vírus.

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Chamada de B.1.1.529, a nova variante é responsável por 22 casos de covid-19 no país até o momento. Adrian Puren, diretor executivo da NICD, afirmou, em comunicado à imprensa, que embora os dados até o momento sejam limitados, os especialistas do Instituto estão trabalhando para estabelecer mecanismos de vigilância para entender a nova variante e suas implicações. “Os desenvolvimentos estão acontecendo de forma rápida e o público tem nossa garantia de que manteremos todos avisados”.

Moradores de rua passam por exames antes de serem enviados para abrigos durante confinamento na África do Sul em 2020. País identificou nova variante com alto número de mutações Foto: REUTERS/Rogan Ward

Os casos detectados e a porcentagem de testes positivados estão aumentando rapidamente nas províncias de Gauteng, a mais populosa do país, North West e Limpopo. Michelle Groome, chefe da divisão de vigilância e resposta em saúde pública do NICD, disse que as autoridades de saúde provinciais continuam em alerta máximo e estão priorizando o sequenciamento de amostras positivas para covid-19. Autoridades, porém, afirmaram que ainda é cedo para dizer se serão impostas novas restrições. 

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O pesquisador brasileiro Tulio de Oliveira, diretor do Centro para Resposta à Epidemias e Inovação da África do Sul (CERI), disse, que a variante é de grande preocupação e que o mundo deveria fornecer apoio à África do Sul e à África e não discriminar ou isolar o continente.  "Ao protegê-lo e apoiá-lo, protegeremos o mundo. Faço um apelo para bilionários e instituições financeiras. Temos sido muito transparentes com as informações científicas. Identificamos, tornamos os dados públicos e alertamos, pois as infecções estão aumentando. Fizemos isso para proteger nosso país e o mundo, apesar de sofrermos potencialmente uma discriminação massiva."

Oliveira disse ainda que a nova variante é preocupante no nível mutacional. "A África do Sul e a África precisarão de apoio (financeiro, de saúde pública, científico) para controlá-la para que não se espalhe pelo mundo. Nossa população pobre e carente não pode ficar presa sem apoio financeiro."

Segundo o pesquisador, como essa variante pode ser detectada por um PCR normal,  antes do genoma completo de sequenciamento, o que torna mais fácil para rastrear e entender a transmissibilidade da nova cepa. “Estimamos que 90% dos casos em Gauteng, pelo menos 1000 por dia, são desta variante”, disse.

Oliveira, que faz parte da força-tarefa para sequenciamento do vírus, afirmou ao Estadão que, embora poucos casos tenham sido identificados, provavelmente há "milhares". O pesquisador disse que, apenas na quarta-feira (24), o CERI recebeu mais de mil amostras para a análise e que a equipe está “trabalhando contra o relógio” para entender os efeitos de transmissibilidade, vacinas, reinfecção, gravidade da doença e diagnósticos.

Segundo a Rede para Vigilância Genômica da África do Sul, a variante já foi identificada em amostras coletadas de 12 a 20 de novembro em Gauteng, Botswana e em Hong Kong, de um viajante sul-africano.  “Os primeiros sinais de laboratórios de diagnóstico mostram que a B.1.1.529 aumentou rapidamente em Gauteng e pode já estar presente na maioria das províncias. Podemos fazer algumas previsões sobre o impacto das mutações nesta variante, mas ainda é incerto, e as vacinas continuam a ser a ferramenta crítica para nos proteger”, disse a instituição.  Nesta sexta-feira, o governo sul-africano fará uma sessão de urgência com a OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre a evolução do vírus.

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