Vanderlei Faria/Prefeitura de Cascavel/Divulgação
Vanderlei Faria/Prefeitura de Cascavel/Divulgação

Africano teme ser vítima de preconceito na volta para o Paraná

Segundo infectologista, Souleymane Bah quer evitar se expor e já está em um quarto comum da Fiocruz, onde caminha normalmente 

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2014 | 12h09

Atualizada às 21h09

RIO - O guineano Souleymane Bah, de 47 anos, primeiro paciente internado com suspeita de Ebola no Brasil, teme a volta para Cascavel, no Paraná, por causa das manifestações racistas e xenófobas publicadas em redes sociais. 

“Ele pediu para a imagem dele ser preservada. Tem receio na volta para a comunidade de sofrer algum tipo de discriminação. Ficou sabendo que foi identificado, e das mensagens (nas redes sociais, conforme revelou o Estado). Na condição de refugiado, isso causa bastante preocupação”, afirmou o infectologista José Cerbino, da Fiocruz, que tratou do paciente desde a internação no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, ligado à Fundação Oswaldo Cruz.

Bah soube que a contraprova confirmou o exame negativo para Ebola às 16h30 de segunda, quando os médicos entraram no quarto já sem as roupas de proteção. “No primeiro resultado negativo, o alívio foi maior. O segundo resultado é uma confirmação do que a gente já esperava”, contou Cerbino.

O guineano foi transferido para um quarto comum e circula normalmente pelo hospital. Por telefone, conversa com conterrâneos que estão em Cascavel. Na manhã desta terça, fez novos exames de sangue e passou por tomografia para tentar identificar a causa da febre inicial. A pedido do paciente, os médicos não vão divulgar informações sobre a doença, que está sendo investigada. Ele já fez testes rápidos para dengue, malária e HIV. Todos deram negativo.

“Os exames que a gente pôde realizar na investigação do Ebola mostraram alterações no hemograma. São queixas e alterações que não indicariam internação, mas agora que está internado vamos adiantar a investigação para tentar descobrir a doença. Do ponto de vista clínico, ele poderia receber alta hoje”, afirmou Cerbino.

Transporte. Bah deve deixar o instituto assim que for resolvida a questão do transporte. O guineano deixou Cascavel em um avião da Força Aérea Brasileira, mas pode voltar em voo comercial. Ele não quer ser filmado nem fotografado na saída do hospital, e pediu discrição aos médicos. Também recusou pedidos de entrevista.

A equipe que tratou o africano avaliou que os procedimentos de segurança foram corretos e não houve nenhum risco de contaminação da equipe, caso ele estivesse com Ebola. Mas estão preparando uma avaliação dos procedimentos. Os profissionais continuarão em treinamento diário sobre como agir nesses casos. 

Desde a semana passada, há eventos na Fiocruz e no Museu da Vida, que fica dentro do câmpus. Pais e escolas procuraram a instituição preocupados com o suposto caso de Ebola.

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