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Africanos fazem ritual de exorcismo para se livrar da 'maldição' do Ebola

Em Meliandou, onde acredita-se que foi registrada a 1ª morte pela doença, moradores chamaram curandeiro; veja imagens

Agências internacionais

26 Fevereiro 2015 | 18h17

Um tradicional curandeiro retornou a Meliandou, o marco zero do surto de Ebola na África Ocidental, para concluir a remoção de uma maldição que os moradores acreditam que pode ter sido colocada na aldeia, na Guiné.

Cientistas acreditam que um menino de 2 anos, Emile Ouamouno, foi a primeira pessoa a morrer por causa do Ebola, em dezembro de 2013, em Meliandou. 

Emile teve febre, vômitos e sangramentos e morreu dois dias depois dos sintomas, sem que ninguém soubesse explicar o motivo. Depois, outros moradores da localidade começaram a morrer e um curandeiro foi chamado para realizar uma cerimônia de exorcismo.

"Ele tirou os itens de feitiçaria que as pessoas tinham em suas casas", disse Etienne Ouamouno, o pai de Emile. "As pessoas culpavam os itens pelas mortes", lembrou.

Centenas de pessoas abandonaram a aldeia, acreditando que a família de Ouamouno ou toda a aldeia estavam amaldiçoados, disse o chefe do lugarejo Amadou Kamano.

Ouamouno disse que estrangeiros foram ao local e anunciaram que as mortes eram causadas pelo Ebola, que é transmitido pelos fluidos das pessoas doentes, e cuja cura é desconhecida. 

Os moradores de Meliandou são pobres, estigmatizados e continuam desconfiados sobre quem ou o quê trouxe a doença que devastou suas vidas. Assim como em outras aldeias do país, as pessoas continuam acreditando que o Ebola eclodiu de propósito por pessoas que buscam algum tipo de benefício. 

Ouamouno convidou o tradicional curandeiro Kalifa Lengo de volta à aldeia para realizar as etapas finais dos rituais. Durante sua primeira visita, em abril, Lengo plantou uma bananeira no centro da aldeia e prometeu retornar. A árvore cresceu rapidamente. 

O corte da planta, segundo os mais velhos, vai concluir a remoção da maldição. Com músicas e danças, um rito foi realizado próximo à árvore no dia 22 de fevereiro. Uma cabra, oferecida pelo curandeiro, foi assada em uma fogueira e um ancião da aldeia jogou arroz em direção à árvore.

"Eu não morri nem fiquei doente e agradeço a Deus por isso", disse Ouamouno.

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