Márcio Pinheiro/SESA
Márcio Pinheiro/SESA

Agência americana recomenda cuidado com uso de cloroquina

FDA está ciente dos relatórios sobre problemas graves de ritmo cardíaco de pacientes com covid-19 que se trataram com hidroxicloroquina ou cloroquina, combinando também com azitromicina e outros medicamentos

Reuters, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 20h01

A Food and Drugs Administration (FDA), agência reguladora de alimentos e drogas dos Estados Unidos,  recomendou cuidado quanto ao uso da cloroquina e hidroxicloroquina fora do ambiente hospitalar para o tratamento do novo coronavírus. “A FDA está ciente dos relatórios sobre problemas graves de ritmo cardíaco de pacientes com covid-19 que se trataram com hidroxicloroquina ou cloroquina, combinando também com azitromicina e outros medicamentos”, escreveu nesta sexta-feira, 24. O medicamento, já usado para doenças como lúpus e malária, tem sido testado e usado para pacientes de covid, mas ainda faltam evidências científicas robustas. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o americano, Donald Trump, têm defendido o uso do produto

Em 28 de março, a FDA publicou autorização de uso emergencial de sulfato de hidroxicloroquina e fosfato de cloroquina em alguns pacientes hospitalizados com a covid-19. Mas o medicamento não demonstrou benefício no tratamento do coronavírus e apresentou alto risco de morte aos pacientes, de acordo com uma análise feita por pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul e da Universidade de Virginia em pacientes dos hospitais de veteranos.  

Depois do posicionamento da agência reguladora, o presidente Donald Trump pediu uma nova avaliação da hidroxicloroquina e deu entrevista a repórteres na Casa Branca. “Eu não sou médico. Um estudo foi feito. Se (o remédio) ajuda, é ótimo. Se não funciona, não use.”

Ainda não há nenhuma cura ou vacina contra o coronavírus, mas a hidroxicloroquina tem sido usada em larga escala na tentativa de tratar a doença e obter algum resultado positivo. Existem diversos testes em andamento em vários países, entre eles o Brasil, para avaliar a segurança e eficiência da hidroxicloroquina. 

Um time de pesquisadores de Marselha, na França, publicou dados mostrando que dos 80 pacientes com sintomas leves do coronavírus tratados com hidroxicloroquina e azitromicina antiobiótica, 93% não tinham nenhum nível detectável do vírus após oito dias. Mas a comunidade médica questionou a validade do estudo francês e de diversos artigos chineses por serem simples ou por oferecerem poucas evidências importantes dos benefícios do medicamento. 

A cautela pedida pela FDA acontece um dia após a agência reguladora da União Europeia alertar para os efeitos colaterais de medicamentos e pedir para que profissionais da saúde monitorem de perto a saúde de pacientes que se tratam com hidroxicloroquina.

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