Agência espacial russa dá por, praticamente, perdida sonda Phobos-Grunt

Sonda pode entrar nas camadas densas da atmosfera e cair na Terra entre o fim de dezembro e fevereiro de 2012

Efe

22 de novembro de 2011 | 08h23

 

MOSCOU - A Roscosmos, a agência espacial russa, deu nesta terça-feira por, praticamente, perdida a sonda interplanetária Phobos-Grunt, que por causa ainda desconhecida ficou na órbita terrestre ao invés de seguir para Marte.

 

"É preciso ser realista. Se não conseguimos estabelecer comunicação (com a estação) durante tanto tempo, são poucas as possibilidades de levarmos essa missão adiante", declarou o subdiretor da Roscosmos, Vitaly Davydov, citado pela agência Interfax.

 

Davydov acrescentou que a próxima janela, como os especialistas chamam o período mais propício para o voo, deverá se abrir dentro de dois anos, prazo em que no melhor dos cenários a Phobos-Grunt terá perdido suas funções.

 

"Não recebemos informações da estação. Simplesmente não entendemos o que aconteceu", admitiu Davydov, quem ressaltou que a falta de dados não permite aos especialistas estabelecer as causas da conduta anômala da estação, cuja órbita em seu perigeu se eleva diariamente um quilômetro.

 

Explicou que pelos cálculos da Roscomos, a Phobos-Grunt poderia entrar nas camadas densas da atmosfera e cair na Terra entre o fim de dezembro e fevereiro de 2012.

 

"É interessante como se comportará (a estação), porque tem combustível a bordo. Se o combustível explodir, será de uma forma, e se não houver explosão, de outra", destacou Davydov.

 

Por esse motivo, detalhou que não é possível dizer de antemão que tipo de fragmentos da Phobos-Grunt alcançará à superfície terrestre.

 

Segundo o subdiretor da Roscomos, o que chegará até o solo sem dúvida nenhuma é a cápsula da Phobos-Grunt que devia trazer a Terra 200 gramas de amostras do solo da lua marciana.

 

"Mas se calcularmos a probabilidade da cápsula cair na cabeça de alguém, esta com certeza será próxima de zero", disse.

 

Acrescentou que, de qualquer maneira, a Roscosmos poderá informar as coordenadas da região onde cairão os fragmentos da estação somente com 24h de antecedência.

 

Davydov indicou que se a expedição da Phobos-Grunt fracassar, a Roscosmos estuda continuar as expedições a Marte ou concentrar-se na pesquisa da Lua.

 

"Talvez tenha mais sentido dar passos mais sérios na Lua. E no que se refere a Marte, pode-se apostar por trabalhar conjuntamente com nossos colegas estrangeiros", declarou.

 

A Phobos-Grunt, lançada no último dia 8 de novembro, deveria completar sua missão dentro de 34 meses, incluindo um voo a Fobos, uma descida na superfície e, finalmente, o retorno à Terra de uma cápsula com mostras do solo do satélite marciano.

 

O projeto, com custo US$ 170 milhões, tinha como objetivo estudar a matéria inicial do sistema solar e ajudar a explicar a origem de Fobos e Deimos, a segunda lua marciana, assim como dos demais satélites naturais no sistema solar.

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