Agências reguladoras de remédios pedem esforços contra Ebola

Número restrito de medicamentos foi desenvolvido, mas, até agora, nenhum deles teve a segurança e a eficácia comprovada

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2014 | 18h11

BRASÍLIA - Em resposta à epidemia de Ebola, a maior registrada na história, agências reguladoras de medicamentos devem concentrar esforços e ampliar a cooperação para acelerar a avaliação de tratamentos potencialmente capazes de combater a doença. O apelo foi feito por representantes das agências, em um documento divulgado no encerramento da 16ª Conferência Internacional de Autoridades Reguladoras de Medicamentos, realizada no Rio. 

Pela manhã, participantes do encontro observaram que um número restrito de medicamentos foi desenvolvido para o tratamento da doença, mas, até agora, nenhum deles teve a segurança e a eficácia comprovada em seres humanos.

Diante da situação de emergência, uma colaboração entre agências e a Organização Mundial de Saúde se faz necessária, avaliam, para acelerar a avaliação dos tratamentos. O documento chama a atenção também para a necessidade inovar o formato dos testes clínicos para situações em que não é possível colocar em prática as regras tradicionais.

O diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Dirceu Barbano, afirmou que a agência brasileira vai se juntar ao esforço internacional. "Embora o desenvolvimento de novos medicamentos contra o vírus Ebola esteja em curso, é importante que as medidas alternativas de saúde sejam mantidas, tais como a detecção precoce da doença, o rastreamento e o monitoramento de pessoas que tiveram contato com doentes e a adesão a procedimentos rigorosos de medidas de controle de infecção, bem como medidas educativas".

Nesta sexta pela manhã, Samuel Zaramba, representante de Uganda, lembrou dos surtos que afetaram seu país em 2000 e 2005. Durante a reunião, ele afirmou: "Quando problemas são desesperadores, temos de buscar soluções desesperadas." A conferência reuniu nos últimos três dias cerca de 400 pessoas, representantes de 121 países. O evento é promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e organizado pela Anvisa.

Em Brasília, questionado sobre o movimento, o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, observou ser importante buscar acelerar os processos de avaliação dos medicamentos. Mas observou que critérios relacionados à segurança tem de ser mantidos. 

Também pela manhã, foi realizado no Aeroporto Tom Jobim um exercício para simular a chegada de uma paciente com a suspeita de Ebola no País. "Embora o risco seja considerado baixo para o Brasil, estamos preparados", afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ele informou que treinamentos também serão feitos nos aeroportos de São Paulo e Brasília. As datas ainda não estão definidas. "Esse tipo de exercício já foi feito outras vezes. Durante a Copa, por exemplo, a simulação envolveu a suspeita de um ataque de bioterrorismo", lembrou.

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