Agentes da Anvisa que liberam remédios ainda mantêm greve

A greve de servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomou ontem dois rumos. Uma parte dos servidores, filiada à Sindiagências, resolveu retomar o trabalho, atendendo ao pedido feito pelo governo federal. Será uma trégua de 13 dias. No período, servidores voltam a negociar com o governo o envio de um projeto de lei para o Congresso Nacional. Eles querem, entre outras coisas, a equiparação salarial de trabalhadores antigos e novos da agência. Mas 10% dos grevistas - filiados à Federação Nacional de Servidores da Previdência e Saúde - continuam a paralisação. Para população, o problema permanece: embora em número menor, os servidores que não voltaram ao trabalho atuam justamente em pontos de desembarque e liberação de matéria-prima de medicamentos, como o Porto de Santos (SP) e os aeroportos das principais capitais. A Anvisa não se pronunciou sobre a continuidade do movimento dos servidores da Fenasp. Disse apenas esperar que grevistas respeitem a lei e observem a determinação da Justiça de manter pelo menos 30% de seus servidores em atividade, considerada essencial. Caso a regra não seja atendida, a entidade está sujeita ao pagamento de multa diária. Navios - Ontem, em Santos, com a manutenção da greve no local, nenhum navio foi vistoriado ou teve a carga liberada. A decisão de manter o movimento reforça um racha na categoria. "A trégua foi negociada por pessoas que não nos representam", disse Sueli Dias Pereira, fiscal da Anvisa em Santos. A decisão de suspender o movimento havia sido tomada em assembléia na terça-feira, depois que a juíza federal substituta Marcelle Ragazone Carvalho concedeu liminar determinando o fim da paralisação no porto. O descumprimento da medida acarreta multa diária de R$ 10 mil. Procurada pela reportagem, a juíza não quis se pronunciar. Navios que chegam a Santos estão indo para outros portos onde conseguem fazer a inspeção da carga e retornam para descarregar. "É uma alternativa adotada há alguns dias, mas acarreta custos extras", disse o vice-presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindimar), José Roque. Cada dia parado no cais representa custo extra de US$ 40 mil a US$ 90 mil para os armadores. Ontem, havia 22 navios no cais, sendo que dois aguardavam inspeção. "Muitos estão fazendo a escala extra, pois conseguem a vistoria em outro porto e não precisam fazer em Santos", explicou Roque. Assembléias - Os funcionários da agência vão fazer assembléias hoje. Em Santos, a informação é de que o Sindicato Estadual dos Trabalhadores na Saúde, Previdência e Assistência Social ainda não foi notificado da liminar que manda os servidores voltarem ao trabalho. Na avaliação dos grevistas, dificilmente a determinação será cumprida, uma vez que a entidade sindical tentará cassar a liminar assim que for notificada. "Não temos nada a declarar, não recebemos a notificação", afirmou Rita de Cássia Pinto, diretora do sindicato. No escritório da Anvisa no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, ninguém se manifestou sobre a greve. Os funcionários se limitaram a informar um telefone do comando de greve em Brasília, atendido pelo fiscal José Raimundo de Santana Segundo ele, os comandos estaduais têm até esta quinta-feira, ao meio-dia, para responder se aceitam ou não a proposta do governo. "A tendência é de que não aceitem porque a proposta não garante nada ao servidor e mantém o desconto dos dias parados", disse ele. Estoques - Na Bahia, os 70 funcionários da Anvisa vão fazer hoje assembléia para decidir se aceitam a proposta do governo. A paralisação está causando problemas no estoque de remédios da diretoria de assistência farmacêutica da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), que fornece medicamentos para doenças crônicas, como aids, diabete e hipertensão para unidades de referência do Estado. O estoque só deverá ser regularizado 60 dias após o fim da greve. Em São Paulo, o Hospital Universitário (HU), da Universidade de São Paulo, reduziu as cirurgias por laparoscopia pela metade. "Estamos reservando bisturis só para casos de urgência", diz Paulo Andrade Lotufo, superintendente do HU. De acordo com levantamento da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) com os 35 hospitais associados, começam a faltar lente intra-ocular, pinças, tesoura descartável, stent e cateter. Em Minas Gerais, são 21 os medicamentos em falta, entre eles remédios para tratamento de câncer e hepatite B, além de antibióticos e antimicrobianos.

Agencia Estado,

27 de abril de 2006 | 10h15

Tudo o que sabemos sobre:
notícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.