Aids cresce entre heterossexuais e cai entre usuários de droga

Em homossexuais e bissexuais jovens, no entanto, a tendência é de alta, alerta boletim do Ministério da Saúde

21 de novembro de 2007 | 14h17

Entre os brasileiros do sexo masculino e com mais de 13 anos, a epidemia de Aids vem crescendo entre heterossexuais, estabilizando-se entre os homossexuais e bissexuais e caindo entre usuários de drogas injetáveis, informa Boletim Epidemiológico lançado pelo ministério da Saúde.  Em homossexuais e bissexuais jovens, no entanto, a tendência é de crescimento, alerta o boletim. E na faixa etária de 13 e 19 anos já há mais casos de mulheres com a doença do que de homens.    Boletim epidemiológico Relatório da Unaids ONU superestimou o total de vítimas de Aids no mundo Em 1996, dos casos registrados em homens, 29,4% foram em homo/bissexuais; 25,6% em heterossexuais; e 23,6% em usuários de drogas. Em 2006, foram 42,6% em heterossexuais; 27,6% em homo/bissexuais e 9,3% em usuários. Em mulheres acima de 13 anos, dos casos notificados em 1996, 86,1% foram em heterossexuais e 12,6% em usuários de drogas. No ano passado, o porcentual de casos em heterossexuais subiu para 95,7% e em usuários caiu para 3,5%. O Boletim Epidemiológico 2007 traz, pela primeira vez, dados sobre a proporção de pessoas que continuaram vivendo com Aids até cinco anos após o diagnóstico. O estudo foi feito com base no número de pessoas identificadas com a doença em 2000.  Os dados apontam que, cinco anos depois de diagnosticadas, 90% das pessoas com Aids no Sudeste estavam vivas. Nas outras regiões, os porcentuais foram de 78%, no Norte; 80%, no Centro-Oeste; 81%, no Nordeste; e 82%, no Sul.A análise mostra, ainda, que 13,9% dos pacientes diagnosticados com Aids no Norte haviam morrido até um ano após a descoberta da doença. No Centro-Oeste, o percentual foi de 12,7% e no Nordeste, de 12,1%. Na região Sul, o indicador cai para 9,1% e no Sudeste, para 3%. A média do Brasil foi de 6,1%. Em números absolutos, o Brasil registrou 192.709 mortes provocadas pela Aids, de 1980 a 2006. O boletim do ministério segue-se á divulgação, na terça-feira, 20,  do relatório mundial da Unaids, órgão das Nações unidas para o combate á doença. Segundo o levantamento internacional, um terço dos casos na América Latina é registrado no Brasil - um dado que não é novo e reflete o fato de que cerca de um terço dos latino-americanos vivem no País.  Apesar de revelar as estimativas totais mundiais de infecção relativas a 2006, o documento não inclui os números sobre o ano passado de casos relativos a cada país, que devem ser revelados em 2008. Ainda sobre o Brasil, o relatório destaca a estimativa de que, em 2005, eram cerca de 620 mil os portadores de HIV.  O Unaids destaca o fato de que a prevalência de HIV em usuários de drogas injetáveis no País "caiu em algumas cidades como resultado de programas para redução de danos, em que há mudança de drogas injetáveis para inaláveis, e também devido à queda da mortalidade entre os usuários de drogas".  No restante da América Latina, o Unaids diz que a "epidemia de HIV permaneceu em geral estável, e a transmissão do HIV continua a ocorrer em populações consideradas de mais risco, como trabalhadores do sexo e homens que têm relações sexuais com homens".  A estimativa é de que, em toda a região, 100 mil pessoas contraiam o vírus em 2007, elevando a 1,6 milhão o total de infectados na região.

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