China Daily/via Reuters
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Ainda em fase de testes, vacina contra covid-19 recebe primeira patente na China

Candidata desenvolvida pela empresa CanSino em parceria com a Academia Militar de Ciências do país está na última fase de ensaios com seres humanos

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2020 | 09h46

A primeira patente de uma candidata a vacina contra covid-19, que está na fase 3 de testes em seres humanos, foi aprovada pelo Escritório Estatal de Propriedade Intelectual da China (Sipo, na sigla em inglês). Segundo a imprensa local, o imunizante poderia “ser produzido em massa em pouco tempo”.

A vacina, desenvolvida pelo Academia Militar de Ciências do país e pela companhia biofarmacêutica chinesa CanSino Biologics, começou a ser utilizada no fim de junho pelo exército da China, depois que uma equipe dirigida pelo pesquisador Chen Wei descobriu um anticorpo monoclonal neutralizante eficiente.

Os resultados da fase 2 de testes clínicos da vacina - realizados em seres humanos - demonstraram que é segura e induz resposta imune contra o novo coronavírus, de acordo com pesquisa publicado no final de julho na revista científica The Lancet.

De acordo com a patente da Sipo, a vacina demonstrou uma “boa resposta imunológica em ratos e roedores e pode induzir o corpo a produzir uma forte resposta imune celular e humoral em pouco tempo”, aponta o jornal cantonês Southern Metropolis

A patente assegura que a vacina “pode ser produzida em massa em um curto período de tempo” e que é “rápida e fácil de ser preparada”. Ainda afirma que a segurança e efetividade do imunizante deverá se confirmar na fase 3, que ocorre em outros países.

Especialistas citados pelo jornal estatal diário Global Times indicam que a concessão da patente demonstra a “originalidade e criatividade” da vacina e “é provável que a CanSino solicite também patente junto a autoridades estrangeiras para proteger seus direitos de propriedade intelectual durante a cooperação internacional”.

O estudo publicado em julho no The Lancet apontou que foram feitos testes em mais de 500 pessoas como continuação dos primeiros ensaios que foram divulgados em maio, também com resultados positivos. Porém, foram necessários mais aplicações em seres humanos na fase 3, para confirmar se a candidata a vacina protege de maneira eficaz contra infecção pelo coronavírus Sars-CoV-2.

Os autores da pesquisa ressaltaram que ninguém que recebeu o imunizante durante os testes esteve exposto ao vírus depois, de forma que não foi possível determinar se a vacina oferece proteção eficaz contra a covid-19.

No total, 508 pessoas participaram da fase 2 de ensaios dessa imunização, que usa um vírus do resfriado comum Adenovírus tipo 5 (Ad5-nCoV) debilitado para fornecer o material genético.

A CanSino Biologics desenvolveu juntamente com a Academia Militar de Ciências da China uma vacina contra o vírus do ebola que obteve licença provisória em 2017. A empresa foi criada em 2009 na cidade de Tianjin, no nordeste do país, e é focada principalmente na elaboração e produção de vacinas.

Normalmente, o período para que um imunizante possa estar disponível para uso em massa é de, pelo menos, 12 meses, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A China acelerou processos devido à emergência de saúde pública global e permitiu a realização simultânea de estudos em várias fases. /EFE

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