Ainda precisamos nos proteger contra a poliomielite
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Ainda precisamos nos proteger contra a poliomielite

A doença está erradicada no Brasil, mas a queda na procura pela vacinação desperta o receio de que possa retornar ao País1

Sanofi Pasteur, Media Lab Estadão
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27 de outubro de 2020 | 17h32

Ela já foi uma das doenças mais temidas entre as famílias brasileiras na década de 1970 e levava à paralisia centenas de milhares de crianças no mundo. Hoje presente em dois países, Paquistão e Afeganistão, a pólio ainda pode ser transmitida pelo vírus selvagem 1 – os tipos 2 e 3 foram considerados erradicados em 2015 e 2019, respectivamente.1

A ciência, porém, alerta que não se pode menosprezar esse perigo. “Enquanto houver casos em algum lugar deste planeta, existe sempre um risco de que possa ocorrer uma exportação e atingir outros países”, afirma o infectologista Guido Carlos Levi, secretário da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Afinal, lembra o médico, vivemos uma era de grande mobilidade e facilidade de viagens internacionais. “O Brasil erradicou a pólio em 1989, mas alguns anos atrás a doença ainda existia em Angola, e sabemos o grande nível de intercâmbio entre os dois países. Havia, então, um risco elevado de que viessem para cá pessoas infectadas e a doença fosse reintroduzida entre nós”, contextualiza Levi. Em outro exemplo, em 2010, foi registrada a primeira importação de poliovírus selvagem para a Europa desde que a região foi declarada como livre de pólio, em 2002.2

A regra, portanto, é manter a vacinação em dia e não abrir nenhum espaço para a volta desse vírus responsável por sequelas graves e, em alguns casos, a morte. Embora na maior parte dos casos a infecção cause sintomas inespecíficos, como febre, mal-estar, dor de cabeça e dor de garganta, quando a ela atinge o sistema nervoso central costuma desencadear problemas motores irreversíveis. O quadro então progride para dores nas articulações, pé torto, crescimento diferente das pernas, osteoporose, paralisia de uma das pernas, paralisia dos músculos da fala e da deglutição e atrofia muscular3– e de 5% a 10% desses pacientes morrem quando os músculos respiratórios são acometidos e ficam imobilizados4

A preocupação dos especialistas com a baixa cobertura vacinal se intensifica neste 2020, ano em que o justificável medo de sair de casa em razão da covid-19 pode elevar ainda mais o número de crianças sem a proteção dos imunizantes. “Ficou difícil mesmo para a população compreender as duas mensagens: ‘fica em casa’ e ‘vamos vacinar’”, analisa Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). “Mas a vacinação é um serviço essencial.”, completa. 

Desde 2016, o esquema vacinal contra a poliomielite no Brasil prevê três doses da Vacina Inativada contra Poliomielite (VIP), injetável, no segundo, quarto e sexto meses de vida. Na sequência, a criança recebe a Vacina Oral contra Poliomielite (VOP), aos 15 meses5. “A vacina é um tesouro, um bem público. Neste momento estamos trabalhando na campanha de multivacinação para atualizar as doses de crianças e adolescentes”, diz a pediatra Helena Sato, diretora técnica da Divisão de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. 

Referências:

1. GPEL. Polio Global Eradication Initiative. Disponível em : https://polioeradication.org/ Acesso Outubro/2020

2. Centers for Disease Controland Preventiion. Outbreaks followuing wild poliovirus importations: Europe, Africa and Asia, January 2009-September. Morb Nortal Wkly Rep. 2020.

3. Ministério da Saúde. Poliomielite: causas, sintomas, diagnóstico e vacinação (http://antigo.saude.gov.br/saude-de-a-z/poliomielite)

4. WHO Poliomyelitis key facts (https://who.int/news-room/fact-sheets/detais/poliomyelitis#:- test1%20in%20200%20infections%20leads,33%20reported%20cases%20in%202018)

5. Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM). Vacinas poliomielite. (https://familia.sbim.org/vacinas/vacinas-disponiveis/vacinas-poliomielite)

6. As Fake News estão nos deixando doentes? Disponível em: https://sbim.org.br/images/files/po-avaa-relatorio-antivacina.pdf Acesso em Outubro de 2020.

 

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