Aipo e pimentões podem ajudar pacientes de Alzheimer

Segundo estudo, essas plantas possuem um composto que ajuda na redução de inflamações cerebrais

Efe

19 de maio de 2008 | 18h32

Um composto presente em grande quantidade no aipo, na camomila e nos pimentões reduz a inflamação cerebral e poderia ajudar as pessoas afetadas pelo mal de Alzheimer, de acordo com um artigo publicado nesta segunda-feira, 19, pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Uma equipe liderada por Saebyeol Jang, da Universidade de Illinois, acrescentou o composto conhecido como luteolina na água que durante 21 dias foi administrado aos ratos de laboratório e comprovou uma suavização das inflamações cerebrais induzidas. Luteolina é um composto do grupo denominado flavonóides e que inclui uma série de estruturas químicas responsáveis pela cor e cheiro das plantas e que, durante anos, era conhecida por suas propriedades antioxidantes, anticancerígenas e antiinflamatórias. Os pesquisadores estudaram a forma como a luteolina atua sobre as microgliais, células pequenas com núcleo alongado e prolongamentos curtos e irregulares, originários da medula óssea e que chegam ao sistema nervoso pelo sangue. As microgliais são fagócitos, os soldados mononucleares que defendem o sistema nervoso central e devoram os corpos que o atacam. Outros estudos anteriores demonstraram que os flavonóides ajudam a resistir à demência causada pela inflamação no cérebro em doenças como Alzheimer ou Creutzfeldt-Jakob, conhecida popularmente como a doença da vaca louca. Para seu experimento, Saebyeol Jang e seus colaboradores no Programa de Imunologia Integrativa e Conduta usaram duas partes das células microgliais cultivadas, e descobriram que a luteolina reduz a inflamação causada por uma molécula de bactéria. Durante 21 dias os pesquisadores administraram aos ratos água com luteolina e depois lhes injetaram um lipossacarídeo, um componente da membrana exterior de uma bactéria que o sistema de imunidade reconhece como patogênico, e, portanto, inicia o mecanismo defensivo da inflamação. "O consumo de luteolina reduziu a inflamação induzida pelo lipossacarídeo dentro das quatro horas após a injeção", afirmou o artigo. "Além disso, a luteolina diminuiu a indução da inflamação por lipossacarídeo no hipocampo, mas não no córtex ou no cerebelo". Os autores concluíram que "a luteolina pode ser útil para aplacar a inflamação" do cérebro, e apontaram seu uso potencial no tratamento de tal condição em pacientes humanos.

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