Alagoas já tem 300 candidatos à mudança de sexo pelo SUS

Eles já são atendidos pela equipe médica do Hospital Universitário, mas reclamam da burocracia

Ricardo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

25 de agosto de 2008 | 17h03

As cirurgias para mudança de sexo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foram regulamentadas pelo governo federal na última quarta-feira, 20, mas já é grande a quantidade de homens interessados no procedimento. Em Alagoas, cerca de 300 homens estão na lista de espera para cirurgia de mudança de sexo, pelo SUS.   Veja também:  Governo institui cirurgia de mudança de sexo no SUS  Mudança de sexo pelo SUS deverá ter apoio psicológico   São homossexuais e travestis de baixa renda que sonham em mudar de sexo e não têm condições financeiras para bancar uma cirurgia desse porte. Eles já são atendidos pela equipe médica do Hospital Universitário, mas reclamam da burocracia existente para realizar esse tipo de procedimento cirúrgico, custeado pelo governo.   Dois alagoanos contam que cansaram de esperar pelo poder público para mudar de sexo. Por isso, juntaram dinheiro e foram fizeram a cirurgia fora do Estado. Segundo eles, o procedimento cirúrgico é caro, delicado e arriscado. Além disso, relatam que o processo pós-operatório e de adaptação social é doloroso.   Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, existem poucos profissionais especializados para a realização das cirurgias de transgenitalização, mesmo nos hospitais particulares de Alagoas. Por isso, a lista de espera é grande. Além disso, só agora que o poder publico foi autorizado pelo governo federal para a realizar esse tipo de cirurgia pela SUS.   O problema da falta de especialistas para esse tipo de cirurgia afeta todo o País. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas pouco mais de 60 pessoas conseguiram mudar de sexo, dentro do processo experimental oferecido pelos hospitais universitário. Algumas dessas cirurgias foram realizadas pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre.   Fuzileiro naval   Em Alagoas, o cadastro dos homens interessados em mudança de sexo é feito pelo Pró-Vida - organização não-governamental que existe há 12 anos e defende os interesses do público GLBT - gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. De acordo Érika Fayson, que fez mudança de sexo, 297 homens estão na lista, mas esse número pode aumentar.   "A lista foi feita antes da autorização do governo para esse tipo de cirurgia pelo SUS. Com a autorização, a tendência é aumentar o número de interessados, já que existe uma estimativa de que 10% da população alagoana seja de homossexuais, o que representa cerca de 300 mil pessoas, no Estado. ", afirma Érica, que era fuzileiro naval da Marinha do Brasil.   Érica conta que fez a cirurgia na Europa e quando mudou de sexo foi aposentada compulsoriamente pela Marinha do Brasil. "Tenho uma ação na Justiça cobrando da Marinha uma indenização por danos morais", revelou. Segundo ela, a cirurgia de mudança de sexo é complicada, "porque não mexe só com a físico, mas com a mente".   Segundo Érika, em Alagoas, apenas duas pessoas conseguiram mudar de sexo, porém as cirurgias ocorreram na Europa. Um delas mora no interior do Estado e Érica na capital, Maceió. Embora tenha nascido no Rio de Janeiro, Érica se considera "alagoana de coração". Para ela, ser pioneira nesse campo teve um preço muito alto: a aposentadoria forçada.

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