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Alemanha aponta brotos como origem de surto de E.coli

Segundo o presidente do centro nacional de saúde pública do país, descobriu-se que as pessoas que comeram brotos teriam nove vezes mais chances de apresentar sinais da infecção

Agência Estado, Reuters e Efe

10 Junho 2011 | 07h47

BERLIM - A Alemanha identificou brotos contaminados como a origem de um surto mortal da bactéria Escherichia coli (E.coli), que já matou pelo menos 30 pessoas. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 10, por Reinhard Burger, presidente do Instituto Robert Koch, centro nacional de saúde pública do país.

 

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"São os brotos de feijão", disse Reinhard Burger, chefe do Instituto Robert Koch, em coletiva de imprensa. Esses vegetais são muito consumidos na Alemanha, onde são servidos na maioria dos bufês de salada e, frequentemente, nos sanduíches.

 

"Descobriu-se que as pessoas que comeram brotos teriam nove vezes mais chances de apresentar diarreia sanguinolenta ou outros sinais de infecção pela EHEC que aquelas que não os consumiram", afirmou ele, referindo-se a um estudo feito com pessoas que adoeceram depois de comerem em restaurantes. "O surto ainda não terminou", acrescentou. 

 

"É uma grande satisfação apresentar a descoberta hoje, e conseguir isolar a causa e a origem da infecção", acrescentou Burger. "É o resultado da cooperação intensa entre a Alemanha e as autoridades alimentares."

 

Com a identificação, as autoridades sanitárias alemãs suspenderam o alerta contra o consumo de pepinos, alfaces e tomates crus pela infecção com uma cepa agressiva da bactéria E. coli que causou 29 mortes na Alemanha e uma na Suécia. A decisão foi anunciada pelos porta-vozes do Instituto Robert Koch de virologia e do Instituto Federal de Avaliação de Riscos em entrevista coletiva conjunta em Berlim.

 

Foi mantida a advertência contra o consumo dessas sementes germinadas em forma de brotos de soja ou de legumes, depois que um produtor do estado da Baixa-Saxônia foi confirmado como a origem da infecção. Reinhard Burger, diretor do Instituto Robert Koch, assinalou que o número de doentes pela infecção de E. coli vem caindo e novamente fez uma chamada à população para que observe as mínimas normas de higiene no manejo de verduras e outros alimentos crus.

 

As autoridades de saúde do estado federado Renânia do Norte-Vestfália, oeste da Alemanha, informaram que foi confirmada a presença direta da bactéria E. coli em sementes germinadas procedentes da fazenda. As sementes germinadas que deram positivo foram encontradas na região de Bonn, no oeste do país, no lixo de uma família que teve dois doentes após a ingestão desses vegetais.  

 

 

Exportações. A Comissão Europeia confirmou que a Alemanha não exportou a outros países do bloco europeu sementes germinadas procedentes da plantação assinalada pelas autoridades como provável origem da infecção. "Segundo as informações do governo alemão, esses produtos foram consumidos unicamente na Alemanha", afirmou nesta sexta-feira em entrevista coletiva o porta-voz de Saúde do Executivo comunitário, Fréderic Vincent.

 

Após as últimas descobertas das autoridades alemãs, "estamos vendo a luz no final do túnel" na crise causada pelo surto de E. coli, afirmou Vincent. O porta-voz destacou a complexidade do processo de encontrar a origem da infecção ao longo da cadeia alimentar, uma tarefa que comparou a "uma investigação policial".

 

Ao ser perguntado sobre a gestão da crise sanitária por parte do governo alemão, Vincent lembrou as últimas declarações do porta-voz de Saúde, John Dalli, nas quais disse que os Estados-membros deviam evitar as conclusões precipitadas na hora de enfrentar uma situação deste tipo. "Foi uma crise sanitária de uma amplitude incomum na União Europeia", concluiu Vincent.

 

Rússia. O chefe do Serviço Sanitário da Rússia, Gennady Onishchenko, anunciou que seu país suspenderá o veto às importações de verduras procedentes da Europa em troca de garantias da União Europeia (UE) sobre cada país e produto. As posições se aproximaram significativamente. A Comissão Europeia propôs desenvolver este trabalho não em nível nacional, como é feito agora, mas em nível da Comissão, que dará garantias sobre cada país e cada tipo de produto", disse Onishchenko à imprensa.

 

A autoridade indicou que as primeiras provisões serão autorizadas assim que houver um acordo sobre que documentos garantirão a segurança dos produtos. As declarações de Onishchenko, membro da delegação russa na cúpula Rússia-UE, representam uma suavização da postura de Moscou na "guerra das verduras". Para levantar a proibição, a Rússia exigia até agora saber a causa exata do foco do surto infeccioso que deixou 29 mortos na Alemanha. A UE solicitou a suspensão do veto russo por considerá-lo uma medida "desproporcional" à emergência sanitária causada por uma cepa agressiva da bactéria E. coli.

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