Oli Scarff/AFP
Oli Scarff/AFP

Alemanha, França, Portugal, Espanha e Itália suspendem uso da vacina de Oxford; OMS indica aplicação

Medidas foram tomadas como forma de precaução após notificações recentes de trombose no continente; relação entre os casos e o imunizante contra a covid não está comprovada. Brasil utiliza produto na campanha

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2021 | 13h26

Mais cinco países europeus suspenderam o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca em suas campanhas de vacinação contra a covid-19 nesta segunda-feira, 15. Alemanha, França, Espanha, Portugal e Itália dizem que tomaram a medida como forma de precaução após o registro de casos de trombose entre imunizados no continente. A relação entre essas notificações e o uso do imunizante não está comprovada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda manter o uso. O produto já tem sido usado na campanha nacional de imunização do Brasil, com doses importadas, e também será fabricado no País pela Fiocruz - a 1ª remessa deve ser entregue na quarta-feira, 17.  

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) afirmou oficialmente que não há indícios concretos de que a vacina esteja relacionada ao aumento do risco de coágulos sanguíneos. De acordo com a agência, os 30 casos registrados entre os cinco milhões de imunizados com a vacina de Oxford/AstraZeneca não é superior aos que ocorrem na população em geral.

A Itália já havia suspendido o uso de um lote da vacina semana passada depois da morte de um militar e um policial no sul do país. Os casos estão sendo investigados e nenhuma relação com a vacina está comprovada até o momento.  O Ministério da Saúde da Alemanha disse que a decisão foi baseada em um conselho do órgão regulador de vacinas do país, o Instituto Paul Ehrlich, que pediu investigação mais aprofundada de sete casos reportados, incluindo três mortes. O ministro disse que a EMA decidirá "se e como essas novas informações vão afetar a autorização da vacina."

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que vai suspender o uso do imunizante enquanto aguarda avaliação da EMA, prevista para terça-feira, 16.  A Espanha informou que suspenderá o uso por pelo menos duas semanas. "Tomamos essa decisão por cautela", disse a ministra da Saúde, Carolina Dias. Ela disse que a decisão levou em conta os "casos raros, que são muito poucos, mas muito significativos". Por isso, acrescentou, "a Espanha se juntou aos outros países que optaram por esta suspensão preventiva."

Portugal também acompanhou os países vizinhos. Segundo Graça Freitas, que comanda a Direção-Geral de Saúde do país, embora os os casos registrados tenham sido"severos", eles foram "extremamente raros" e ainda não foi notificada nenhuma ocorrência do tipo às autoridades lusitanas. Áustria, Dinamarca, Islândia, Noruega, Bulgária, Tailândia e República Democrática do Congo já tinham interrompido temporariamente o uso da vacina. A AstraZeneca afirmou que não há "nenhuma prova de risco grave" de coágulo sanguíneo causado pela vacina.  

Brasil prevê usar mais de 220 milhões de doses

O imunizante de Oxford é uma das principais apostas do governo federal - junto da Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan - para a campanha de imunização do Brasil. A Fiocruz será responsável por fabricar essa vacina no Brasil - a 1ª remessa, de 500 mil doses, deve ser ser entregue nesta quarta-feira, 17, após atrasos no cronograma por impasses na liberação de matéria-prima pelos chineses. 

A aplicação da vacina de Oxford no Brasil começou, com o uso de doses importadas da Índia. Até agora, já foram distribuídas em todos os Estados e municípios quatro milhões de unidades produzidas no Instituto Serum, no país asiático. Mais oito milhões de doses fabricadas no mesmo local ainda serão entregues ao Brasil. 

Até julho, segundo o Ministério da Saúde, 112 milhões de doses da vacina serão entregues para o Programa Nacional de Imunização. A partir do 2º semestre, a Fiocruz prevê a incorporação de toda a tecnologia de produção, com fabricação 100% nacional, e a entrega de mais 110 milhões de unidades. 

A vacina de Oxford e a da Pfizer são as únicas que têm registro definitivo de uso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) - ambas também contaram com a participação de voluntários brasileiros na sua fase três de testes. Já a Coronavac tem autorização para uso emergencial. Procurados, Ministério da Saúde, Fiocruz e Anvisa ainda não comentaram a suspensão de uso pelos países europeus. 

Relembre

O debate sobre eventuais reações à vacina de Oxford começou na semana passada, quando possíveis casos de coágulos no sangue em pessoas que receberam a vacina de Oxford/AztraZeneca foram registrados em países da Europa. Na ocasião, a Dinamarca, onde um caso de coagulação sanguínea foi confirmado, suspendeu por 14 dias a aplicação da vacina de Oxford/AstraZeneca. A Áustria também barrou o uso de doses de um lote específico (número ABV5300) do imunizante para investigar um óbito por problemas de coagulação e um caso de embolia pulmonar. Não se sabe quantos problemas de saúde, ao todo, foram relatados.

No sábado, 13, as autoridades sanitárias norueguesas reportaram a hospitalização de três profissionais de saúde com trombocitopenia (número anormalmente baixo de plaquetas no sangue), sangramento e coágulos sanguíneos. Apresentados como relativamente jovens, todos foram vacinados com uma dose da vacina de Oxford/AstraZeneca.

Uma delas, uma mulher com menos de 50 anos e de "boa saúde", morreu no domingo de hemorragia cerebral, disseram autoridades sanitárias. "Não podemos descartar ou confirmar que isso tem relação com a vacina", disse Steinar Madsen, chefe da Agência Norueguesa de Medicamentos, em entrevista coletiva. Outra profissional de saúde na casa dos 30 anos morreu na sexta-feira na Noruega, dez dias depois de receber a mesma vacina./COM INFORMAÇÕES DA REUTERS, AP e EFE

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